‘As necessidades do município têm de ser prioridade’, afirma Cortez

Pedagogo recebeu 739 votos e assume cadeira no Legislativo pela 1a vez

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Renan Cortez já atuou nas secretarias municipais do Esporte e da Educação (Foto: Divulgação)
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Da reportagem

O parlamentar Renan Cortez, do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), é um dos 11 vereadores da legislatura 2021/2024 a assumir o primeiro mandato no Poder Legislativo.

Em entrevista a O Progresso, Cortez falou sobre o resultado das eleições 2020 e ações realizadas durante campanha, além de sinalizar a forma com que pretende atuar na Casa de Leis nos próximos quatros anos.

Natural de Boituva, casado e pai de um filho, Cortez nasceu no dia 27 de junho de 1990. Aos 30 anos, o vereador possui licenciatura e bacharelado em educação física, licenciatura em pedagogia e pós-graduação em psicopedagogia.

O parlamentar trabalhou como servidor público – inclusive, nas pastas de Educação e de Esporte – juntamente com o atual vice-prefeito e secretário municipal da Educação, Miguel Lopes Cardoso Júnior. Eles atuaram juntos por oito anos, até o início do período eleitoral do ano passado.

Cortez conta que, quando Cardoso assumiu a pasta do Esporte, em 2013, havia 61 alunos participando das oficinas oferecidas pela administração pública. Quatro anos depois, segundo o vereador, eles deixaram a pasta com 2.200 alunos.

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Cardoso foi eleito para a Câmara Municipal, em 2016, com 985 votos e convidou Cortez para ser o assessor dele. Pouco mais de dois anos depois, eles receberam convite para a pasta da Educação, tendo Cardoso como secretário municipal e Cortez, como diretor estratégico.

Para Cortez, durante a trajetória profissional dele, o período mais marcante aconteceu justamente nesse cargo, no qual sustenta ter participado de muitas ações e projetos em benefício da educação municipal.

Entre as ações, ele destaca o trabalho desenvolvido no Projeto Ayrton Senna, a criação do segundo núcleo do EJA (Ensino de Jovens e Adultos) no Jardim Santa Rita, a promoção dos Jogos Escolares de Tatuí e a conquista de um espaço individual e personalizado para o Nate (Núcleo de Atendimento Especializado).

No ano passado, o atual vice-prefeito teve de deixar a secretária e retornar ao cargo de vereador, tendo novamente Cortez como assessor.

Posteriormente, Cortez teve de se afastar da função, devido ao período eleitoral, e só voltou à Câmara Municipal para ser empossado. “A história política é curta, mas, graças a Deus, tenho um volume grande de trabalho”, aponta.

De acordo com Cortez, ele recebeu o convite para participar do pleito pela primeira vez, justamente pela ausência de Cardoso como candidato a vereador. O pedagogo lembra que, “na corrida parlamentar, há um quociente a ser atingido pelo partido”.

“Eu seria um candidato para ajudar no quociente, mas acabei atingindo uma votação expressiva e sendo eleito com a segunda vaga do partido”, conta. “A ideia inicial era a de ‘tapar o buraco’ que Cardoso estava deixando e, sinceramente, não esperava ser eleito”, garante Cortez.

Ele admite que, quando surgiu o convite à candidatura, sabia que a eleição seria ainda mais complicada, devido à pandemia. No entanto, por conta das atuações no poder público e por ter passado alguns anos no Legislativos, decidiu aceitar o desafio.

Conforme vereador, durante a campanha eleitoral, ele buscou contato com determinados munícipes, os “multiplicadores de votos”.

Cortez conta que contatou pessoas que entendia possuir relevância nas respectivas famílias e nos bairros que residem. Ele lembra ter ido a 71 residências e convidado 81 pessoas para participar de uma reunião.

Ao todo, 73 pessoas participaram do encontro. Na ocasião, Cortez explicou sobre o perfil dele, as ideologias políticas e distribuiu o material de campanha. “Ali, eu já entendi que tinha uma base. Vergonha eu já não ia passar”, brinca.

Posteriormente, o então candidato buscou pessoas com as quais possuía algum tipo de vínculo familiar ou afetivo. Cortez fez uma lista e percorreu outras 136 casas, divulgando que pleiteava o cargo na Casa de Leis e pedindo para que votassem nele.

No antepenúltimo sábado antes da eleição, 31 de outubro do ano passado, ele realizou a entrega de panfletos em quatro bairros. Antes do término da campanha, dia 14 de novembro, véspera das eleições, o candidato entregou materiais de divulgação em semáforos da rua 11 de Agosto e em lojas da área central.

“Além desses dois sábados que fizemos essas ações, eu não trabalhei nenhum sábado, domingo ou feriado. Fizemos uma estratégia muito específica, que poderia ter dado muito errado, mas deu certo”, admite.

“Fomos no alvo, não perdi tempo com nada. Não tinha como captar votos que não fossem do meu círculo, pois não tinha uma imagem política. Eu tinha uma imagem de bastidores, o que é totalmente diferente”, complementa Cortez.

Eleito com 739 votos, o parlamentar reforça que o trabalho dele era o de colaborar com o partido. Apesar disso, o trabalho que realizara durante a campanha era para “não receber menos de 250 votos e tentar chegar a 400”.

“Se chegasse a 400 votos, já seria bem lembrado, tanto que a Cíntia Yamamoto (Soares, do PSDB) – a mulher mais votada a assumir uma cadeira no Legislativo – teve 1.634 votos nesta eleição e 400 na anterior. Já seria uma votação expressiva”, reconhece.

Cortez afirma que, durante a campanha, os munícipes sempre o questionavam positivamente sobre quais eram os projetos dele e, como vereador, o que teria para levar à população.

Ele diz ter mencionado as ações nas quais poderia participar e ajudar a executar no município, juntamente com Cardoso e a prefeita Maria José Vieira de Camargo.

“Acredito que o vereador não pode ter a vaidade de priorizar projetos pessoais. Claro que, caso surja uma oportunidade e que venha a trazer um resultado positivo à população, é sempre bem-vindo”, indica.

“Entretanto, acredito que, primeiramente, a maior proposta seja diagnosticar as necessidades e criarmos as oportunidades para que elas sejam solucionadas. Acredito que o vereador tem essa missão”, completa o pedagogo.

Ele revela que, se tivesse concorrido nas eleições de 2016, atuaria para ajudar a reerguer as pontes que estavam caídas na cidade. “O vereador tem que pautar as necessidades do município como prioritárias”, frisa.

“É preciso trabalhar com as necessidades emergenciais e, de alguma forma, trazer soluções, trabalhando em conjunto com o Executivo, para que sejam solucionadas, através de emendas, projetos, indicações ou conversas”, ressalta.

Apesar de já ter atuado nas pastas de Esporte e da Educação, Cortez reafirma que a intenção é auxiliar no que for emergencial à cidade.

“É claro que, em paralelo com as emergências, sempre vou apontar as necessidades dentro daquilo que tenho conhecimento. Porém, não posso focar só nisso, não posso ser um vereador dos meus objetivos”, completa.

Para ele, o emergencial no município, atualmente, é a geração de empregos. Cortez afirma a necessidade de dedicação conjunta, entre Legislativo, Executivo e empresários, para trazer empregos ao município.

O vereador aponta que os empregos estão relacionados a uma “boa saúde, uma boa educação e uma graduação com excelência” na cidade.

“É isso que uma empresa vem avaliar em um município para se instalar nele. Acredito que, hoje, os vereadores têm de ajudar nessas frentes para auxiliar neste período emergencial”, observa.

Atualmente, Cortez diz estar presenciando algo “incomum” na Câmara Municipal. Segundo ele, os parlamentares estão se mobilizando em grupos para apoiar as demandas do município apontadas por cada vereador.

“Nós temos de lutar juntos para criar mecanismos que, de alguma forma, mudem o dia a dia da população. Esse é o nosso papel”, conclui o pedagogo.

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