Apresentada a nova expografia do Museu Histórico “Paulo Setúbal” de Tatuí

Mudanças são planejadas para duas etapas; primeiro, no subsolo e térreo

Rogério Vianna apresentando expografia (Foto: Joyce Vieira)
Da reportagem

Em reunião extraordinária realizada com os conselhos da Cultura, Turismo, Patrimônio e Pessoa com Deficiência, na tarde de terça-feira, 25, no Centro Cultural Municipal, foi apresentada a nova expografia do Museu Histórico “Paulo Setúbal” de Tatuí.

Conforme Rogério Vianna, secretário-adjunto municipal do Esporte, Cultura, Turismo e Lazer, a expografia está de acordo com o plano museológico do museu, de 2009, e será feita em duas etapas, sendo realizada no subsolo e no térreo.

A área de exposições terá início logo na recepção, com informações sobre o que já foi o prédio que hoje abriga o museu. Além disso, ainda no corredor, haverá a história de Nilzo Vanni, que, desde o falecimento de Paulo Setúbal, ajudou a reunir os materiais para o museu, além de frases de Setúbal.

O corredor do local não será mais “só de passagem”; também abrigando exposições. A exposição prevista é referente à Semana Paulo Setúbal, que premia autores tatuianos, e contará com troféus e medalhas da premiação.

“Por causa de Paulo Setúbal e dessas pessoas que formaram a Semana, nós tivemos muitos juristas que leram o autor e desenvolveram o seu trabalho por meio dele. Hoje, temos na cidade a Justiça Restaurativa, que se chama Paulo Setúbal; temos a praça e o museu, só que não percebemos isso no dia a dia. Então, vamos trazer a Semana nesse corredor”, antecipou.

O corredor também abrigará uma homenagem a Leila Salum Menezes da Silva, que foi diretora do museu nas décadas de 1980 e 1990 e ajudou a resgatar o concurso.

Já a sala de Paulo Setúbal e a biblioteca estarão juntas, com a remoção da parede existente. No local, haverá uma “mesa educativa”, a princípio, com 20 questões para que os participantes entendam a obra do autor.

O local abrigará, também, uma exposição de “como seria uma sala de Paulo Setúbal” e referências à Academia Brasileira de Letras (ABL), onde o autor foi “imortalizado”. Outra novidade para a sala são os “emojis”, visando trazer mais modernidade.

“É uma linguagem que está hoje no dia a dia. Não vamos mudar a língua portuguesa, ela continuará sendo a mesma, e as obras do autor terão as suas palavras mais trabalhadas e mais difíceis de serem interpretadas, mas a gente vai tentar popularizar e trazer para uma linguagem atual, para que o jovem também perceba como trazer isso para a realidade de hoje”, explicou.

Ainda na mesma sala, ficará exposta uma cadeira que pertenceu ao autor, posicionada ao lado do galardão. O auditório trocará o lado da entrada, sendo agora possível que os autores entrem e saiam sem precisar passar pela plateia.

Vianna também contou que a altura dos balcões atualmente presentes no local será diminuída. “Hoje, uma pessoa que tem mobilidade reduzida, que precisa fazer o uso dentro do equipamento de cadeira de rodas, não consegue assinar o livro porque está no alto. Vamos adequar toda a estrutura para que possamos atender as pessoas com deficiência, nesse caso com mobilidade reduzida”, comentou.

O secretário-adjunto também citou que, até então, o museu, que é de literatura, tem as exposições literárias altas, o que acaba dificultando que pessoas mais baixas consigam ler.

“Quando foi feito o diagnóstico, agora, pela própria empresa que fez a expografia no passado, constatou-se que esse museu foi feito para pessoas de 1,80 metro, e não para pessoas da estatura média, de 1,60 a 1,70 metro”, complementou.

Ainda no térreo, haverá uma linha do tempo trazendo a vida de Setúbal, que terá ligação com o primeiro andar (que ganhará atualização futuramente). Nesse espaço, constarão outros acontecimentos do município, permitindo entender o que ocorria no ano em que o autor executava determinada atividade.

“Por exemplo, Alberto Seabra estava desenvolvendo a homeopatia enquanto ele estava na Academia Brasileira de Letras”, citou Vianna.

Ao se referir ao autor na ABL, a expografia também terá algumas curiosidades sobre a academia e outros ‘imortais”, além de uma imagem local atrás do fardão que pertenceu ao autor.

No mesmo local, também haverá informações com um pouco de cada obra de Setúbal e um jogo educativo, no qual é feita uma pergunta e o participante responde de qual obra acredita ser o trecho.

Já no subsolo, haverá a exposição “Tatuí em Notícias”, que destacará mais personalidades tatuianas. Entre elas, serão homenageados: Elze Vanni, Francisca Pereira Rodrigues (Chiquinha Rodrigues), José Fernandes da Silva (Juquita), Francisco Evangelista Pereira de Almeida (Chico Pereira) e Armando Pettinelli.

“Em uma sala que só tinha a história do Juquita, estamos trazendo mais quatro personalidades da cidade. Tem muitas outras, mas são quatro para ‘provocar’ as outras que deverão estar no futuro ou que poderemos buscar de outras formas”, informou.

No mesmo local, haverá um painel com oito acontecimentos que marcaram Tatuí, os quais podem ser alterados no futuro; e o “território das linguagens”, com “palavras que contam histórias”, apresentando termos falados no município, especialmente relacionados ao sotaque tatuiano caipira.

Ainda no mesmo andar, haverá um “mapa afetivo”, com referências de elementos do município, além dos patrimônios históricos, como o Cordão dos Bichos, os doces ABC e o Aeroclube.

Também no subsolo, terá uma estrutura modular com artistas locais, a ser renovada a cada seis meses. A princípio, serão expostos Cristina Siqueira, Priscila Flor, Ivan Camargo, Raquel Prestes e Renato Melo.

“A gente precisa entender que o museu não é só o passado. Até agora, falamos muito do passado, mas o museu também é o agora, pois estamos escrevendo o que virá para o futuro”, observou Vianna.

O secretário-adjunto também citou que haverá um QR Code para levar à página do artista exposto, onde os interessados poderão adquirir as obras deles.

Finalizando o andar, haverá um espaço para “brincar com as palavras” e memórias do subsolo, onde já funcionaram celas.

Acessibilidade

No projeto, já há um elevador na escada superior, para inclusão e acessibilidade, mas ele não será construído neste momento. “A ideia é que seja construído em dois anos”, comentou.

Conforme o escopo de acessibilidade apresentado na reunião — produzido por Carolina Fomin e Vânia Mantovan, da Acessibilidade Humanista —, a proposta é fornecer diretrizes para garantir a acessibilidade em todos os espaços e conteúdos da revitalização e da nova expografia do museu, com plantas de arquitetura e sinalização do térreo e do subsolo, hall de entrada/recepção e acolhimento, corredores, módulos presentes nos projetos e recomendações gerais.

Os objetivos são: apresentar parâmetros gerais de acessibilidade para os diversos espaços que compreendem os dois andares contemplados nesta etapa; avaliar o projeto arquitetônico desenvolvido a partir das orientações de etapas anteriores e detalhá-lo segundo os parâmetros da norma técnica de acessibilidade; e recomendar recursos de acessibilidade para os diferentes núcleos, de modo a promover mais acesso para todas as pessoas.

Também faz parte do projeto apresentar propostas de pontos de melhoria nos ambientes e/ou equipamentos existentes; mostrar exemplos de outros espaços expositivos que servem como referência para aplicação no contexto da exposição; e tornar a exposição mais acessível, de forma a contemplar um maior número de pessoas, incluindo as com deficiência auditiva, visual, mobilidade reduzida, idosos, crianças, gestantes e outras.

Entre as recomendações a serem observadas, estão os recursos em Libras, com vídeos de mediação (videoguia ou vídeo em Libras), em que um educador ou intérprete faz a mediação do conteúdo do núcleo, espaço ou obra, a partir de um roteiro prévio.

Também está prevista a tradução de textos de parede — a tradução para Libras do conteúdo presente nos textos da exposição, quando há contextualização da mostra, do núcleo ou da obra.

Em relação à audiodescrição, os recursos incluem: narração de textos de parede (leitura do conteúdo exposto); audiodescrição em conteúdos audiovisuais; pranchas táteis (reproduções com relevo e texturas disponíveis para toque); e descrição de peças táteis (audiodescrição de reproduções táteis de obras).

Também pode ser feita a descrição/mediação de núcleos ou conjuntos de obras, na qual o narrador descreve o espaço e faz a mediação do conteúdo, a partir de roteiro prévio. O mesmo vale para edificações e mapas ou maquetes.

“Com base na variedade de recursos descritos acima, recomendamos que o mínimo de recursos por ambiente/núcleos expositivos deve ser um videoguia de mediação em Libras e um áudio de mediação com a descrição do referido núcleo”, aponta o projeto.

Conforme o projeto do museu enviado pela Arquiprom para avaliação, a Acessibilidade Humanista sugeriu pisos táteis no início e no final das rampas e escadas da área externa; balcão da recepção com duas alturas (alcance manual e visual); inclusão de maquete tátil na recepção; e inserção de vídeos.

Além disso, o documento sugere um mapa tátil, cujo objetivo é descrever os espaços internos da edificação e orientar a circulação.

O documento ainda recomenda videoguias e audioguias em diversos locais; espaços de circulação adequados; reserva de espaço para pessoa em cadeira de rodas; e acesso ao palco por meio de rampa adequada no auditório.

Também consta no projeto o elevador na entrada principal, onde se recomenda “cuidado especial” na contratação de elevadores, uma vez que produtos de baixo custo, sem certificações necessárias ou sem conformidade com normativas da ABNT, podem ter durabilidade menor ou gerar prejuízos a médio e longo prazo.

O documento também chama atenção para os principais itens de acessibilidade que o elevador ou plataforma deve possuir e menciona a entrada pelo subsolo.

“O acesso ao térreo e recepção do público em geral acontece por meio de uma escada, e a rampa existente encontra-se na entrada lateral, não possibilitando que todas as pessoas entrem pela mesma porta de entrada. Entendemos que a nova entrada pelo subsolo da edificação pode funcionar como um bom acesso para todas as pessoas, especialmente para grupos de escolas ou grupos agendados, podendo o museu fornecer um roteiro que se inicie por esse espaço”, aponta.

Finalizando, o projeto sugere reformas em escadas e rampas externas: “Além dos pisos táteis já indicados anteriormente no relatório, considerar a reforma dos corrimãos e rampas móveis, em conformidade com a NBR”.

Identidade visual
Durante a reunião, foi novamente apresentada a nova identidade visual do museu, que já havia sido exposta em reunião com o Conselho Municipal de Turismo (Comtur) em maio deste ano. Na época, Vianna explicou que foi realizado um estudo para atualizar, modernizar e renovar, mantendo o tatu como referência do logotipo.

“Utilizamos a fachada do prédio como base, tornando a proposta mais contemporânea”, citou Vianna. “Nosso museu é todo estruturado em arcos, tanto externa quanto internamente. Então, a equipe de identidade visual teve a ideia de dividir o arco simetricamente e inserir referências dos vitrais na nova logomarca”, acrescentou.

Além disso, a nova identidade visual é composta por três cores: azul, laranja e cinza, que também têm tons mais claros a serem eventualmente utilizados.