
Da Redação
Um aposentado de 82 anos foi vítima de estelionato em Tatuí ao ser induzido a realizar diversas compras de suplementos alimentares por meio de “ligações telefônicas insistentes”, no período entre julho de 2025 e janeiro de 2026. O caso foi registrado no plantão policial na tarde de terça-feira, 3.
De acordo com o boletim de ocorrência, os contatos tiveram início em 17 de julho de 2025, quando o homem passou a receber ligações de uma empresa de telemarketing que se apresentava como representante de uma marca de suplementos. Durante as chamadas, uma atendente afirmava que os produtos seriam “verídicos” no tratamento de inflamações, osteoporose, artrite e outros problemas de saúde.
Ainda segundo o registro policial, inicialmente, a vítima recusou a compra por considerar o valor elevado, porém, diante da insistência da vendedora — que alegava que ele “gastaria muito mais com médicos” —, acabou aceitando a aquisição de três caixas de magnésio e um porta-comprimidos, no valor de R$ 1.305. Para concluir a compra, foram solicitados os dados do cartão de crédito do aposentado.
Em 7 de agosto de 2025, a empresa voltou a entrar em contato, afirmando que seriam necessários mais suplementos para “completar o tratamento”. Após cerca de 25 minutos de ligação e nova insistência, a vítima aceitou outra compra, dessa vez no valor de R$ 3.485.
Conforme o boletim, em 22 de dezembro de 2025, houve novo contato telefônico, com duração aproximada de outros 25 minutos, durante os quais os atendentes alegaram que seria necessário complementar novamente a suplementação. Mesmo informando não ter condições financeiras e manifestando desinteresse, a vítima relata que não conseguia encerrar a ligação, sendo informada de que os produtos já estariam separados. Por receio de continuar recebendo ligações, acabou aceitando mais uma compra, no valor de R$ 2.542,50.
Em 7 de janeiro de 2026, o aposentado foi novamente contatado em uma ligação que durou 32 minutos. Nela, os atendentes informavam que havia mais produtos separados, sem especificar quais seriam. Apesar das recusas, a vítima acabou cedendo à insistência, resultando em nova cobrança, no valor de R$ 2.825,02. Foi então informado que aquela seria a última ligação.
No dia 15 de janeiro de 2026, ao receber a última entrega, uma familiar deles, vendedora, percebeu a quantidade excessiva de produtos, os valores elevados em comparação ao mercado e identificou que alguns suplementos poderiam, inclusive, ser prejudiciais à saúde do idoso, considerando suas comorbidades.
No dia seguinte, a familiar tentou contato com o serviço de atendimento ao consumidor da empresa, porém, as ligações não eram completadas. Ao ligar para o setor de televendas, foi informada de que deveria aguardar retorno do SAC, o que não ocorreu.
Ainda conforme o registro, em 23 de janeiro, a empresa voltou a tentar contato com a vítima, que deixou de atender por receio de novas tentativas de venda. Nesse dia, o idoso recebeu 24 ligações telefônicas, além de mensagens via WhatsApp, nas quais os remetentes alegavam haver “informações importantes sobre o tratamento”.
Em 26 de janeiro, após novas tentativas de contato, a familiar solicitou a devolução dos produtos, questionou os valores considerados abusivos — inclusive, mencionando que os preços praticados no site da empresa eram inferiores aos cobrados — e pediu o número de protocolo e as gravações das ligações. Segundo o boletim, a empresa se recusou a fornecer o protocolo e não encaminhou as gravações prometidas.
Ao todo, foram vendidos diversos produtos, entre eles, suplementos vitamínicos, itens de massagem, ômega 3, colágeno, creatina, entre outros. O valor total debitado foi de R$ 12.597,67, enquanto o valor registrado nas notas fiscais soma R$ 10.157,52. Parte dos valores cobrados não teria sido informada previamente. Também foram enviados dois boletos bancários, que, segundo a vítima, teriam de ser desconsiderados, conforme orientação verbal.








