Apodet enfrenta dificuldades em contratar

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Kaio Monteiro

Solange Sales Abude preside instituição que enfrenta dificuldades em angariar voluntários que possam atuar nos diversos atendimentos que podem ser oferecidos aos deficientes do município

 

Na calçada da rua Coronel Aureliano de Camargo, em frente ao número 704, no centro, Solange Sales Abude, 52, cuidava de dois deficientes visuais que esperavam carona dos pais a fim de voltarem para casa.

Cuidadosa, ficou com os assistidos da Apodet (Associação das Pessoas com Deficiência de Tatuí) até o último cumprimento de despedida.

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Na quarta-feira, 4, ela havia levado os deficientes visuais e pessoas com diferentes graus de intelectualidade para uma visita ao Museu Histórico “Paulo Setúbal”.

“Os funcionários do museu preparam o local para receber os deficientes visuais. Eles selecionaram alguns itens que os assistidos poderiam tocar”, contou.

Nesse dia, Solange ressaltou a falta de profissionais de saúde para complementar o atendimento na entidade assistencial.

Sem condições financeiras para contratar, ela conta com a ajuda de voluntários. “Hoje em dia, poucas pessoas fazem voluntariado, porque querem ganhar seu dinheiro, o que também é certo”.

Segundo a presidente da Apodet, faltam na associação uma assistente social, professora de orientação e mobilidade, psicólogo, fisioterapeuta e professor de academia.

“Os deficientes encontram esses profissionais no SUS, mas precisamos deles na Apodet”, alertou.

Solange revelou que a instituição vive apenas de doações e que necessita de mais R$ 4.000 por mês. “Precisamos desse dinheiro investido para contratar esses profissionais, inclusive, pagar os custos adicionais com os encargos trabalhistas”.

As funções mais importantes, de acordo com Solange, são da assistência social e da professora de mobilidade. “Estou indo atrás de algumas parcerias”, comentou.

Atualmente, a Apodet conta com uma estrutura física que comporta uma sala de fisioterapia, uma biblioteca com três computadores e uma máquina de escrever em braile, um banheiro normal e outro adaptado para cadeirantes, além de uma sala de fisioterapia, sala de musculação e refeitório.

Todos os equipamentos da musculação e da fisioterapia, afirma Solange, são de “última geração” e adquiridos por meio de doação.

A associação atente a 67 deficientes. Cerca de 30 possuem baixa visão ou são cegos, sendo todos atendidos na sede situada no centro. As pessoas que possuem outras deficiências são recebidas por meio do projeto esportivo da associação.

As aulas para os deficientes são ministradas às quartas e quintas. “Se pudesse, atenderíamos 300 deficientes ou mais, como o coração de mãe. Mas isso não é possível”, lamentou Solange.

A Apodet é uma associação filantrópica que oferece, gratuitamente, cursos de braile, computação e mobilidade para cegos.

Além disso, o deficiente físico pode participar das atividades esportivas promovidas pela entidade. “Se não tiver algum lugar para eles irem, algum lugar que promova atividades voltadas a eles, muitos ficam encostados e não saem na rua”, explicou Solange.

As atividades coordenadas pela presidente da Apodet visam dar aos deficientes físicos “maior liberdade para desenvolver a independência”.

“Temos casos de pessoas que chegam aqui ainda com visão, mas eles sabem que, com o tempo, vão perdê-la. Então, eles são preparados para a situação do futuro”, afirmou Solange.

Os interessados em ajudar a Apodet podem ligar para o telefone (15) 3305 2461, enviar e-mail para apodet.apodetatui@gmail.com, ou comparecer na sede da associação em horário comercial. Doações são realizadas pelo Banco do Brasil, agência 0511-8, conta 6.533-1.

Integração social

Uma das diversas ações da Apodet é estimular a prática de esportes entre os deficientes físicos. Solange considera a atividade física importante meio para promover a integração social. A associação, desta maneira, utiliza o atletismo.

Os deficientes podem optar pela participação nas modalidades como lançamento de dardo, arremesso de peso e as diversas provas de velocidade (100 m, 200 m, 500 m e 1500 m).

No cenário esportivo mundial, o Brasil tornou-se um dos melhores países no atletismo paralímpico. No mais recente campeonato mundial, os atletas brasileiros conquistaram 40 medalhas – 16 de ouro, 10 de prata e 14 de bronze – e terminaram a competição na terceira colocação no quadro geral.

Para a presidente da Apodet, o jovem deficiente pode conquistar no esporte a oportunidade de construir uma vida.

“O Alan Fonteles, vencedor da medalha de ouro no mundial, é um exemplo. Ele viaja o mundo inteiro e ainda ganha dinheiro dos patrocinadores”.

Solange fica contente em revelar os bons resultados que os atletas da entidade obtiveram nos diversos campeonatos regionais e nacionais.

Paulo Jorge Fernandes de Freitas, atleta de alto rendimento atendido pela Apodet, é o segundo melhor no ranking brasileiro de arremesso de peso. Ele disputa o circuito Loteria Caixa, na qual são medidos os índices para a participação nos campeonatos mais importantes do mundo.

Freitas é atleta há sete anos. Atuava num clube em Santo André. Voltou a Tatuí após a Apodet conseguir o registro no comitê paralímpico. “Mesmo assim, ainda temos dificuldades em relação aos custos das viagens. Tudo é caro e complicado”, disse Solange.

Contudo, mesmo com a falta de dinheiro, a presidente ainda pretende implantar a natação nas modalidades oferecidas pela Apodet. “Estou buscando convênios, mexendo. Mas, ainda é um projeto novo”.


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