Apae continuará com plano de ação educacional, afirma diretora Elen

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Kaio Monteiro

Elen Adriana Theotônio disse que entidade não será afetada

 

A possibilidade da aprovação do PNE (Plano Nacional de Educação), enviado ao congresso pelo MEC (Ministério da Educação), que em uma de suas metas propõe que estudantes deficientes sejam matriculados em escolas regulares, tem preocupado a Apae (Associação dos Pais e Amigos do Excepcionais) em relação à continuidade do trabalho educacional. Porém, a diretoria da unidade de Tatuí afirma que a instituição manterá as atividades.

Segundo a diretora pedagógica Elen Adriana Theotônio, as Apaes trabalham em três áreas: assistência social, educação e saúde.

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“Aqui, atuamos nas três frentes. Mas, tem locais que só oferecem serviços sociais e saúde, por exemplo. O plano impõe que os alunos sejam transferidos para as escolas normais. Os outros serviços continuam”.

No entanto, caso a proposta seja aprovada, a diretora pedagógica confirma que os deficientes serão prejudicados. “Pela legislação, eles podem frequentar aulas na escola regular. Porém, se os pais colocam os filhos na Apae, eles acreditam que aqui é o melhor lugar”.

Elen afirma que, como existe um movimento para a aprovação do PNE, há pessoas que questionam o trecho da inclusão dos deficientes.

“No momento, não tem como dizer se vai ou não acontecer. Isso está sendo discutido. Não há com o que se preocupar. A Apae é muito bem vista. Então, eu acho que é difícil fechar”.

Para a diretoria administrativa da Apae, Rita de Cássia Leme Ramos, “o momento é delicado na política, mas é importante as pessoas estarem atentas às notícias”. “Temos que executar nosso papel, ficar de olho em abaixo-assinados e, se for convocado, fazer uma mobilização”.

Apesar da questão do “fechamento das escolas”, de acordo com Elen, é preciso discutir a inclusão proposta pelo PNE.

Para ela, o foco principal das escolas regulares é a questão pedagógica. No entanto, os alunos que possuem deficiências mais complexas precisam de estrutura diferenciada.

Rita enfatiza que a inclusão dos deficientes físicos é necessária, mas que deve ser feita com responsabilidade.

“Nós queremos a inclusão. Contudo, os políticos fazem sem responsabilidade. Isso pode acarretar na volta do deficiente para casa”, apontou. “Se todas as escolas estivessem preparadas não existiria a Apae”.

O Plano Nacional de Educação, segundo o Ministério da Educação, apresenta dez diretrizes objetivas e 20 metas, compostas de estratégias específicas de concretização. O ponto mais polêmico do texto é a meta quatro.

Consta no projeto, analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e pela Comissão de Educação do Senado, que a medida universalize, “para a população de 4 a 17 anos, o atendimento escolar aos estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino”.

O PNE foi protocolado no Congresso Nacional, segundo o Ministério da Educação, com a expectativa de entrar em vigor no ano de 2011, com validade até 2020.

Além da meta de inclusão, o plano tem como premissas a melhoria da qualidade do ensino e a erradicação do analfabetismo, entre outras.

“O interessante, mesmo, é a parceria da escola regular com as especiais. Tanto uma como a outra tem sua importância. Existem casos de deficientes que podem cursar escolas comuns, mas há deficientes com grande comprometimento, que não seria apropriado estar nas regulares”, ponderou Elen.

A diretora pedagógica da Apae de Tatuí acredita que, com o PNE, as escolas regulares têm a possibilidade de substituir as especiais.

“Mas, não sei se isso virá a ocorrer. É um processo muito grande, existe todo um movimento das escolas especiais vindo de todo o Brasil para que isso seja revisto”.


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