
Raul Vallerine
Nunca poderemos obter paz no mundo exterior até que consigamos estar em paz com nós próprios! (Dalai Lama)
A maior parte dos seres humanos deseja a paz no Mundo. É como um sonho coletivo: nada de guerras, de conflitos originados por preconceitos ou disputas políticas e religiosas.
Entretanto, muitos esquecem de um detalhe: a paz é o resultado de uma construção de pessoas, grupos, comunidades e povos.
Ela nasce, muito antes, no coração de cada um de nós. A paz do mundo começa em mim. Se tenho amor, com certeza sou feliz. Se faço o bem ao meu próximo, tenho a grandeza dentro do meu coração.
Um sentimento que deve estar dentro da alma dos que desejam ver o Mundo mais aprimorado, do ponto de vista moral.
Mas há uma pergunta importante em meio a tudo isso: O que é a paz? E você deve estar se perguntando: Será assim tão importante saber o que é a paz? Claro que sim.
Alguns confundem paz com silêncio. Outros acreditam que a paz é a ausência de brigas. Outros, ainda, imaginam que estar em paz significa ficar quieto, sem perturbar a quem quer que seja.
Finalmente, há os que acreditam que estar em paz é ter dinheiro sobrando para viver uma vida de conforto.
Será que isso é mesmo a paz? Será que essas situações trazem mesmo a tranquilidade ou são apenas momentos menos tumultuados, com algum conforto material?
Pensemos: paz não é simplesmente ausência de barulho. Muita gente faz silêncio por fora, mas traz a alma sobrecarregada de ruídos. O tormento interno torna a criatura estressada e infeliz.
E quem acha que paz é a ausência de brigas e conflitos aparentes também pode estar enganado.
Quantas vezes a pessoa fica em silêncio somente porque tem medo de expressar sua opinião? Quantas vezes a raiva está bem camuflada sob uma aparência tranquila?
Quem vê cara, não vê coração, diz a sabedoria popular. O mesmo acontece com a paz: nem sempre o rosto expressa o que vai na cabeça ou no coração da pessoa.
Em resumo: não se pode confundir paz com preguiça, displicência, comodismo ou covardia. A paz é um estado de espírito permanente. Quem verdadeiramente vive em paz não perturba o mundo e nem se deixa perturbar por ele.
É claro que esse estado mental de completa paz é algo ainda um pouco distante da nossa realidade, mas o nosso papel é o do esforço constante para alcançarmos esse objetivo.
Nossa sugestão: faça como se fosse um treinamento diário. Um treinamento de autoconhecimento. Principalmente, de autoeducação.
Comece reservando algumas horas para você e faça reflexões. Inicie fazendo um levantamento sobre todas as coisas, pessoas e situações que lhe causam irritação.
Em seguida, analise as razões por que você se irrita com essas pessoas e situações.
Pense em alternativas para não perder a calma. Faça simulações mentais, experimente seus limites, treine a paciência, exercite o equilíbrio.
Se fizer assim, possivelmente você estará mais bem preparado para quando a situação ocorrer de fato. Estabeleça metas a serem alcançadas na conquista da paz.
Simultaneamente, exercite hábitos mentais positivos: meditação, boas leituras, relaxamento, músicas suaves.
Tudo isso fortalece a atmosfera de paz interior e reforça atitudes mais suaves e serenas.
Quando esses hábitos se consolidarem, quando a serenidade for obtida sem esforço, quando for mais fácil permanecer calmo, aí então você será forte candidato a se tornar exemplo para o Mundo.
Exemplo? Sim, amigo leitor: quem deseja a paz do Mundo deve se empenhar para ser exemplo vivo dessa paz.
É como uma árvore que, à medida que cresce, vai oferecendo benefícios de flores, perfume, cor e sombra aos que estão nas proximidades.
Por isso acredite: quem quer paz, nada exige dos outros. Faz a sua parte em silêncio e aguarda as consequências.




