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    Compra de serviços de hemodiálise em Tatuí repercute no Legislativo

    Pedidos objetivam comprometimento da Divisão Regional de Saúde

    Parlamentares argumentam sobre compra de serviços de hemodiálise (Foto: Juliana Jardim)
    Da reportagem

    Na noite de segunda-feira-25 de setembro, a Câmara Municipal aprovou, em sessão ordinária, 11 indicações, 91 requerimentos e 17 moções, todos por unanimidade. Entre os assuntos, a compra de serviços de hemodiálise em Tatuí, entre a clínica Nefrotat e a Divisão Regional da Saúde (DRS-16), foi questionada.

    Na tribuna, o vice-presidente Antonio Marcos de Abreu (PSDB) argumentou sobre a não solicitação de documentação pela DRS à clínica de Tatuí para a realização do contrato de 130 vagas para que o atendimento possa ser viabilizado.

    O médico nefrologista e proprietário da clínica, Alcir Weiller Ferrari, afirmou ter ocorrido recentemente um acordo verbal entre ele e o diretor da DRS regional, Carlos Ribeiro de Moura, sobre a possibilidade de compra de serviços da empresa local pelo órgão regional por período de seis meses.

    Abreu diz possuir dois ofícios: um do proprietário da clínica, dizendo que não recebeu nenhum pedido para envio de documentação pela DRS, e outro da Secretaria Municipal de Saúde, relatando que a divisão foi autorizada a realizar estudo de demanda e viabilidade da fila da DRS na região, para apresentar à Secretaria de Saúde estadual.

    “Nós aguardamos que o diretor (referindo-se a Carlos Ribeiro de Moura) faça essa solicitação à Nefrotat, para que esse serviço seja comprado o mais rápido possível”, declarou.

    O presidente da Câmara, Eduardo Dade Sallum (PT), reiterou a intenção de disponibilizar o duodécimo da Casa de Leis à prefeitura para reforçar o orçamento destinado à compra do serviço.

    Ele argumenta que, em um possível acordo entre os parlamentares, o Legislativo poderia negociar com o Executivo para que a sobra de receitas da Câmara, no final deste ano, fosse destinada à prefeitura para que ela pudesse custear, por pelo menos um semestre, o funcionamento da clínica.

    Assim, segundo Sallum, ela teria o histórico de atendimento exigido pelo Ministério da Saúde para que fosse solicitada a compra de serviço pelo SUS.

    “Seria uma garantia em oferecer esse serviço por pelo menos um semestre”, acentuou.

    Renan Cortez (MDB) justificou o apoio favorável à clínica reforçando que o órgão de saúde estadual solicitara um estudo para confirmação da demanda local, a qual, segundo ele, “já é sabida por todos”. No entanto, “por tratar-se de um assunto sério, qualquer tratativa requer cuidado”, acrescentou.

    “Isso exige alguns trâmites para que o procedimento seja sério e idôneo e, por fim, não seja enganoso à população que tanto necessita”, declarou.

    Disse ainda que, apesar de serem válidas quaisquer outras possibilidades em viabilizar os serviços pela clínica, “o plano ‘A’ de eficiência, com a garantia de um serviço continuado, é pelas mãos do estado”.

    Paulo Sérgio de Almeida Martins (PRTB) apontou a falta de reconhecimento da clínica local pela DRS como uma questão “chata”, em razão, segundo ele, de o órgão regional reconhecer as outras clínicas de Ferrari, mas não a de Tatuí.

    “Acho uma injustiça a exigência de seis meses de histórico de funcionamento, porque o doutor Ferrari tem um gabarito fora do comum, e a clínica é um modelo para a região”, argumentou.

    Sallum concluiu dizendo que o assunto continuará sendo discutido nas próximas sessões.

    Extraordinária

    Na sessão extraordinária, logo após a ordinária, os parlamentares votaram cinco projetos de lei, sendo dois do Executivo e três do Legislativo. Entre eles, projeto de autoria do vereador Márcio Antônio de Camargo (PSDB) busca instituir no município a ação cultural “Quintal do Ditinho Rolim”.

    O projeto em homenagem ao cancioneiro Benedito Sebastião Rolim (Ditinho Rolim) teria como sugestão serem efetivas na praça Antônio Prado (Concha Acústica), durante os quatro dias de Carnaval, ações musicais voltadas a temas carnavalescos. O projeto, no entanto, foi rejeitado por oito votos.

    O segundo PL rejeitado é de autoria de Maurício Couto (PSDB), que instituiria a Semana Municipal de Conscientização ao Voto.

    A justificativa diz que, “em função de muitos jovens estarem desacreditados com a situação política do

    Brasil, segundo dados do TSE, o número de cidadãos com menos de 18 anos que optam por exercer o direito ao voto tem diminuído nos últimos anos”.

    “De acordo com o IBGE, em 2019, o número de jovens de 16 e 17 anos no Brasil representava 2,9% da população, o que até pode parecer pouco em porcentagem, mas são mais de 6 milhões de pessoas, que fazem uma grande diferença nos resultados das eleições”, segue o autor da proposta. O projeto, no entanto, também recebeu oito votos contrários.

    Fábio Antônio Villa Nova (Progressista) levou à votação PL que visa estabelecer o desenvolvimento de ações de conscientização acerca dos malefícios dos cigarros eletrônicos no município.

    Na tribuna, ele defendeu a lei antifumo aprovada em 2009, que “protegeu o fumante passivo e também o ativo. “É uma lei que protege a saúde das pessoas”, justificou.

    Martins justificou o apoio à campanha, alertando sobre o aumento de casos de fumantes, considerando o uso de cigarro eletrônico. “O uso prolongado do cigarro eletrônico pode levar a doenças respiratórias, cardiovasculares e problemas de saúde mental”, elencou. O projeto foi aprovado por 13 votos.

    De autoria do Executivo, o PL 054/2023 dispõe sobre o Programa de Recuperação Fiscal (Refis), com dispensa de juros e multas incidentes sobre créditos tributários e não tributários inscritos na Dívida Ativa do município.

    O projeto, aprovado por 15 votos em segunda votação, autoriza o Executivo a concede a remissão dos juros e da multa por atraso de pagamento por meio do Refis.

    Aprovado em segunda votação por 14 votos, o PL do Executivo 068/2023 autoriza a administração municipal a abrir crédito adicional especial, até o limite de R$ 5 milhões, o qual beneficiaria os profissionais de enfermagem que atuam na prefeitura, Santa Casa e na unidade de pronto atendimento (UPA).

    O crédito objetiva estabelecer critérios e procedimentos para o repasse de assistência financeira complementar da União, destinada ao cumprimento do piso salarial nacional de enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem.