Mais

    A intolerância!

    RAUL VALLERINE

    Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores. (Khalil Gibran)

    Se você abrir um dicionário e procurar o significado da palavra “tolerância uma das definições que encontrará é: “Boa disposição dos que ouvem com paciência opiniões opostas às suas.” A intolerância então, seria o oposto disso, isto é, quando a tolerância não acontece.

    Se há algo que deveria ser, mas não é nada simples na existência humana é a arte de conviver em meio às diferenças.

    A origem da palavra tolerância deriva do latim “tolerare” e tem o sentido de suportar, aceitar o que não se quer ou o que não se pode impedir.

    A intolerância é o mesmo que ausência de tolerância, é a falta de compreensão ou aceitação em relação a algo. Uma pessoa intolerante apresenta um comportamento de repulsa, repugnância e ódio pelo que lhe seja diferente.

    Aceitar aquilo que não se quer, ou ouvir com paciência opiniões diferentes das suas, são virtudes necessárias para a convivência em uma sociedade democrática.

    Porém, de tempos em tempos, vemos o enfraquecimento desses valores, não só no Brasil, mas no mundo.

    A intolerância se manifesta de várias maneiras e pode ser imputada em relação à religião, as diferentes etnias, a raça, a nacionalidade, aos times de futebol, aos partidos políticos, a antipatia ao estrangeiro e discriminações correlatas.

    A intolerância religiosa no Brasil tem uma leitura peculiar. Mesmo que a legislação nacional assegure a liberdade de crença e de culto, a intolerância religiosa é uma realidade.

    Embora haja denúncias de intolerância e discriminação religiosa em relação às inúmeras religiões que se apresentam no panorama nacional, são as religiões afro-brasileiras os alvos mais comuns desse fenômeno.

    Por isso, todo tipo de preconceito deve ser combatido para, no futuro, haver uma sociedade mais igualitária e livre.

    Há intolerância no mundo todo, contudo o Brasil merece certo destaque nesse contexto, pois é um país plural, com diversas crenças, raças e etnias que mantém tratamento degradante a tantos grupos.

    No caso do preconceito racial, este está vinculado à submissão do negro ao branco desde a época do Brasil Colônia e perdura até os dias atuais, visto que os negros ainda buscam seu lugar na sociedade.

    Esta intolerância prejudica a todos, pois provoca atraso no desenvolvimento do país na medida em que esses indivíduos são humilhados e excluídos com frequência.

    Além disso, as religiões Candomblé e Umbanda, trazidas pelos africanos escravizados ao Brasil, também são motivo de intolerância.

    Isso ocorre, pois seus praticantes são tratados, pejorativamente, como “macumbeiros” e sofrem constantes agressões físicas e morais por parte de outras crenças que impõem sua religião como a única e verdadeira salvadora da humanidade.

    Tal fato impede a liberdade de manifestação prevista em lei. A melhor forma de prevenir a influência da intolerância e suas manifestações de violência, a discriminação e o preconceito entre crianças e adolescente é esclarecê-los sobre os efeitos nocivos dessas formas de pensar e agir, e, principalmente, educá-los para uma atitude de paz e tolerância.

    Todos almejamos uma convivência harmoniosa e pacífica entre pessoas, grupos, povos e nações de todo o mundo. Para que isto aconteça a tolerância é um requisito fundamental.

    Ser tolerante significa, resumidamente, aceitar as diferenças entre as pessoas, sejam quais forem: de pensamento, valores, culturas, cor, raça, etnia, nacionalidade, religião, orientação sexual etc.

    Tolerar não é ser passivo e aceitar tudo que acontece, é procurar aceitar as diferenças entre as pessoas sem renunciar a sua própria individualidade e diferença.

    É, por exemplo, entender e aceitar que os outros têm direito de pensar e agir de maneira diferente que nós.

    É perceber que a humanidade é feita de inúmeras diferenças e compreender que todos têm os mesmos direitos a viver com dignidade.

    Trata-se de uma atitude de cooperação, reciprocidade e respeito mútuo, necessária a uma Educação para a Paz, para a Democracia e para o respeito aos Direitos Humanos.