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    Luciana Holtz ministra palestra com enfoque ao Outubro Rosa na Faesb

    Luciana Holtz ministrou palestra com enfoque no 'Outubro Rosa' (foto: Eduardo Domingues)

    Os estudantes do quarto semestre do curso de enfermagem da Faesb (Faculdade de Ensino Superior Santa Bárbara) de Tatuí tiveram uma atividade extensiva na noite de sexta-feira da semana passada, 4.

    Eles participaram de palestra ministrada pela psico-oncologista Luciana Holtz de Camargo Barros com enfoque na campanha “Outubro Rosa”, pela qual é promovida conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.

    De acordo com a diretora acadêmica da instituição, Carla Barreto, o curso tem se envolvido mensalmente com as campanhas nacionais de saúde.

    Ela destaca que os estudantes de enfermagem abordaram a prevenção ao suicídio no “Setembro Amarelo” e, no próximo mês, irão tratar sobre o câncer de próstata, pelo “Novembro Azul”.

    Carla aponta que parte do ensino é realizado dentro da sala de aula, porém, atividades extensivas permitem uma maior aprendizagem dos estudantes. Segundo a diretora acadêmica, as extensões podem ser com profissionais diversos e de notoriedade no assunto.

    “É uma forma de chamarmos os alunos para refletir e para uma questão empática com as pessoas assistidas por eles no processo de cuidado. Além da missão educacional, a faculdade também tem uma missão social, que depende das ações assistenciais”, reforçou Carla.

    Para a coordenadora do curso de enfermagem, Márcia Féldreman, “Luciana é uma pessoa renomada nacionalmente e ideal para abordar o tema”.

    Ela revelou que o convite à psico-oncologista, cuja presença seria “um prestígio à Faesb”, fora feito há um ano, por conta da agenda cheia da palestrante.

    Márcia afirma que o principal intuito da palestra é multiplicar informações. “Essa é nossa responsabilidade com os estudantes e para a comunidade tatuiana”, completou a coordenadora.

    Tatuiana, Luciana garantiu ser especial um convite para estar no município compartilhando o conhecimento adquirido pela ONG Instituto Oncoguia, da qual é presidente e diretora executiva.

    Conforme ela, o compromisso e envolvimento dos estudantes na causa do câncer é “mais que necessária”. “Precisamos formar um mundo de ‘soldadinhos’ para que consigamos mudar a realidade do câncer no Brasil”, recomenda.

    O Instituto Oncoguia foi fundado em 2009 por um grupo de profissionais de saúde e ex-pacientes de câncer, liderados por Luciana. A associação não tem fins lucrativos, tendo sido idealizada com o objetivo de ajudar o paciente com câncer a viver melhor, por meio de projetos e ações de informação de qualidade, educação em saúde, apoio, orientação e defesa de direitos.

    Como estrutura central do trabalho da ONG, existe o portal “Oncoguia”, lançado em 2003, com “a missão de levar informação de qualidade e realmente útil, além de dicas de qualidade de vida para pacientes enfrentando o diagnóstico e tratamento de um câncer”.

    Conforme os dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer), em 2012, havia 14,2 milhões de novas descobertas da doença, sendo que 8,2 milhões poderiam chegar a óbito.

    A projeção para o ano de 2030 é de aumento para 21,4 milhões de novos casos, com número de mortes em torno de 13,2 milhões. “A cada três pessoas, duas podem ser diagnosticadas com câncer”, alerta Luciana.

    O Inca aponta que, no mundo, um diagnóstico da doença é confirmado a cada 24 segundos e uma morte acontece a cada 68 segundos. No país, cerca de 165 brasileiras recebem a notícia, diariamente, de que possuem câncer de mama.

    Luciana destacou que, nos últimos anos, há uma média de 60 mil novos casos de câncer de mama a cada 365 dias. “Este é um pouco menor do que a metade da população de Tatuí”, adverte.

    Segundo a profissional, o “Outubro Rosa” é o momento adequado para debater e compartilhar informações sobre o câncer de mama. Ela frisa que a grande recomendação é de que as pessoas não tenham medo de se informar.

    “A informação é uma grande aliada e possibilita que as pessoas conheçam os próprios direitos. Desta forma, é possível, inclusive, cobrar mais agilidade do sistema no qual está inserido”, aponta.

    “É preciso garantir que a mulher consiga fazer um diagnóstico precoce, possa passar pelo tratamento e, posteriormente, retornar à vida normal”, complementou.

    Luciana cita os perigos das “fake news” (notícias falsas), prometendo a cura do câncer através de tratamentos milagrosos. A psico-oncologista salienta que, atualmente, os tratamentos que fazem a diferença no mundo do câncer têm de ter comprovação científica.

    Ainda ressalta que, quando se está fazendo o tratamento da doença, é necessário conversar com o médico oncologista sobre qualquer medida alternativa para ser adotada simultaneamente, pois pode atrapalhar o procedimento convencional.

    “Toda semana aparece uma receita ‘da moda’. Falam de sucos, chás e de remédios, com a promessa de cura do câncer. Infelizmente, no mundo digital, há muitas informações sem qualidade e sem utilidade para quem está enfrentando a doença”, observa.

    De acordo com Luciana, “há mulheres com dificuldade de realizar a mamografia, esperando para fazer biópsia ou para começar o tratamento, mas não se pode esquecer de que o câncer não espera e precisa ser tratado com muita rapidez e agilidade”.

    Mantendo a linha da informação, a profissional destaca a “Lei dos 60 Dias”. A medida garante a qualquer paciente de câncer do SUS (Sistema Único de Saúde) que, a partir do dia do diagnóstico, receba o primeiro tratamento em até 60 dias.

    “A partir do momento que se recebe o documento anatomopatológico contendo o diagnóstico positivo da doença, o SUS deveria oferecer o primeiro tratamento nesse período”, reforça.

    “Não é fácil, e não são todos que têm conseguido, mas o paciente ter essa informação e conhecer os próprios direitos faz a diferença”, complementa.

    Luciana reconhece que muitas pessoas têm descoberto a doença em um estágio avançado e que há dificuldades de encontrar o tumor ainda pequeno. Ela afirma que o câncer é uma doença complexa e que, talvez, não seja possível fugir do diagnóstico.

    “O grande objetivo é diagnosticar o câncer em um estágio inicial e, para encontrá-lo pequeno, as pessoas têm de fazer exames, ir ao médico e adotar hábitos de vida saudáveis”, acentua.

    “As mulheres têm de parar e pensar se, realmente, estão se cuidando adequadamente”, finaliza Luciana.