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    Conhecida pelo Censo, agência do IBGE da cidade pesquisa ‘de tudo’





    Conhecido pela realização do censo populacional a cada dez anos, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tem seis funcionários no posto de Tatuí, os quais fazem o trabalho diário de coleta de informações para mais de dez pesquisas estatísticas.

    A pesquisa mais abrangente, a “PNAD Contínua” (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) é realizada trimestralmente pelos agentes.

    A cada três meses, um mesmo domicílio é visitado pelos pesquisadores, que acompanham, no período de 18 meses, a evolução socioeconômica dos moradores.

    A partir dessa pesquisa, são aferidas estatísticas de emprego, renda, escolaridade e população residente, de acordo com o chefe da agência tatuiana do Instituto, Adalberto Miranda Jardim. “O índice de emprego, que foi divulgado esses dias, tem como base o PNAD Contínua”.

    As pesquisas são divididas entre as realizadas mensalmente, as trimestrais, as semestrais e anuais. O trabalho de Jardim e dos cinco pesquisadores é coletar informações com cidadãos, comerciantes, empresários e agricultores e repassá-las para o sistema do IBGE, que as disponibiliza aos estatísticos.

    A partir do início de maio, começa o trabalho de coletas para o Censo Econômico das Empresas. Não são todas as empresas a serem procuradas pelos funcionários do IBGE, esclarece o chefe da agência. Elas são determinadas pelos estatísticos do Rio de Janeiro, onde está a sede do instituto.

    “Os CNPJs (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas) das empresas são escolhidos pela sede. Nós fazemos a abordagem para coletar as informações”, afirmou.

    Entre as pesquisas que abrangem o Censo Econômico das Empresas, estão a Pesquisa Anual do Comércio, a da Indústria e a de Serviços. O IBGE também é responsável pelo censo agropecuário, pelo levantamento da produção agrícola e dos estoques e preços.

    “Nós fazemos o acompanhamento pelas Casas da Agricultura, com os engenheiros de lá. Eles fazem o levantamento, pois faz parte do censo agropecuário. Então, pesquisamos a produção de ovos, leite, carne, estoques”.

    O trabalho de coleta de informação é constante. Além de ser responsável pelas pesquisas em Tatuí, a agência local cuida de mais sete cidades: Boituva, Capela do Alto, Cesário Lange, Iperó, Porangaba, Quadra e Torre de Pedra. A população dos municípios somada é de 257.680, segundo estimativas do próprio IBGE.

    Sobre a importância do trabalho de pesquisa, Jardim afirma que é importante a nação e o povo conhecerem melhor a si mesmos. Os dados econômicos, sociais, industriais e agropecuários são usados para o norteio das políticas públicas, em âmbito nacional, estadual e municipal.

    Quando a equipe de Jardim enfrenta algum tipo de resistência por parte do entrevistado, o chefe da agência é chamado ao local e tenta convencê-lo a colaborar com o trabalho.

    “Quando vemos que tem um pouco de resistência, que não conhece muito o IBGE, eu vou até o cidadão ou à empresa e explico a importância da pesquisa, digo que é importante para a nação brasileira”, exemplificou.

    Jardim esclarece que todo cidadão ou empresa são obrigados, por lei, a prestar informações ao IBGE. A lei, de 1968, estabelece até multa para quem infringi-la. A mesma matéria garante que as informações não serão usadas para provas em processos administrativos, fiscal ou judicial.

    “O sigilo das informações é primordial. Trabalho desde 1987 no IBGE e nunca ouvi falar sobre vazamento de informações sobre pessoas ou empresas. Existe uma lei que garante isso. Trabalhamos com números, é análise de estatísticas”, explicou.

    Aos poucos, o trabalho é migrado para as plataformas digitais. As pesquisas da PNAD Contínua são coletadas com “tablet”.

    Os questionários remetidos para as empresas, comércios, serviços e agricultores são disponibilizados pela internet e podem ser respondidos em ambiente digital.

    A digitalização do serviço facilita a tabulação dos dados e dá maior rapidez na análise das informações. Entretanto, algumas pesquisas ainda são realizadas com formulários de papel, as quais são digitadas e enviadas para a unidade estadual pelo sistema da agência.

    Uma delas é a Pesquisa Estatística de Registro Civil, que levanta o número de divórcios e separações. Alguns fóruns da região estão totalmente digitalizados e disponibilizam as informações rapidamente aos recenseadores. Outros não dispõem da tecnologia, e a visita é necessária.

    O trabalho com informações estatísticas requer, do profissional, acuidade na hora de entrevistar e coletar os dados. Apesar de dispor de margem de erro, as pesquisas são checadas pelos estatísticos do instituto.

    “Quando o IBGE pergunta, no PNAD, sobre o salário, se a pessoa fala que está empregada, tem carteira assinada, tem todos os direitos e diz que ganha R$ 600, o dado está incoerente”, afirmou.

    Quando percebe a incoerência, segundo Jardim, o pesquisador reforça a pergunta. O mesmo acontece com formulários preenchidos por empresas.

    “Se eles perceberem que tem algum dado inconsistente, eles nos comunicam, que a gente procura a empresa para resolver o problema. A maioria das vezes é erro de digitação, no caso das empresas”, explicou.

    Além dos censos e levantamentos, a agência presta informações aos cidadãos e dá orientações de como pesquisar no site do Instituto (www.ibge.gov.br).

    “Nós recebemos e damos orientações. O que a gente souber, informamos; quando não temos como informar, nós orientamos como fazer a pesquisa pelo site do IBGE”, declarou.