
Aqui, Ali, Acolá
José Ortiz de Camargo Neto *
Todos nós — especialmente os artistas — temos de nos conscientizar de que carregamos dentro de nós todo o bem (pela criação) e muito mal (pela natureza decaída).
Muitos pensam que temos de pôr para fora, na vida e na arte, tudo o que vai por dentro de nós: o belo e o horrível, o amor e o ódio, o pensamento bom (ligado ao afeto) e a irracionalidade advinda das emoções malévolas.
Esta é uma grande ideia invertida.
Nosso papel, como seres humanos e artistas ligados à transcendência, é viver o “amor”, como já foi definido pelo maior ser humano (e divino) que já passou por este planeta: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.”
Este mesmo Jesus Cristo disse: “O Reino dos Céus está dentro de vós” (ou seja, todo o bem, a verdade e a beleza habitam nosso interior, pela natureza da criação divina). E, em outra passagem, declarou: “Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem.”
Por isso, temos de tomar cuidado. Nem tudo o que sai de dentro de nós é bom; nem tudo edifica e constrói. Temos também muita perniciosidade em nosso íntimo.
Nosso papel como artistas é conscientizar o que é inspiração boa, bela, verdadeira, útil e benéfica, e o que é pura maldade, feiúra e mentira. Para que possamos conter o ruim e incentivar o bem.
Isso qualquer pessoa tem de fazer para não adoecer demais. E os artistas, mais ainda.
Só assim poderemos dizer, como na música: “Estou fazendo a louvação / Louvação, louvação / Do que deve ser louvado / Louvando o que bem merece / Deixando o ruim de lado”.
Até breve!
* Jornalista e escritor tatuiano.




