
Aqui, Ali, Acolá
José Ortiz de Camargo Neto *
Amigos meus! Congratulem-se comigo! Alegrem-se com a minha surpresa! Uma pombinha-rola resolveu fazer ninho no gradil externo da minha janela.
A avezinha escolheu um vaso de barro que tinha apenas terra, onde eu planejava plantar alguma flor. Ao lado desse vaso há outros, com folhagens, cebolinha verde, mudas de hortelã e um pé de bálsamo que minha irmã me deu. É aprazível ver essas plantas quando resolvo contemplar o horizonte do segundo andar do prédio onde moro.
Voltando à pombinha: estava eu abrindo a vidraça para dar de beber às plantas, quando topei com aquela poesia em forma de ave. Ela se assustou um pouco, foi à borda do vaso e fez menção de voar. E eu pude ver, dentro do vaso, um lindo e pequeno ovinho branco, que ela estava a chocar. Recuei imediatamente e deixei as plantas sem aguar. Fechei lentamente a cortina para não espantá-la. Voltei para dentro do apartamento e, bem depois, abri uma frestinha na extremidade do cortinado e olhei. Ela estava lá, deitadinha em cima de seu precioso ovo.
Fiz uma pesquisa sobre pombas-rola. Fiquei sabendo, então, que setembro e outubro marcam sua época de procriação. A pomba fêmea e o pombo macho são inseparáveis. Uma vez que se casam, é para sempre. E nos dão outras lições de vida: fazem o ninho juntos. Revezam-se no trabalho de chocar os ovos. O macho entra no meio da manhã e choca os ovinhos até perto do final da tarde. Então sai a procurar alimento e a fêmea toma o seu lugar na chocagem. Fica até a manhã seguinte, quando sai em busca de água e comida, trocando de lugar com seu parceiro.
É lindo ver esta lição de beleza, de ternura e de harmonia na natureza.
Agora, no meu trabalho diário, eles são minha alegria. Sei que é por pouco tempo. Em 14 dias os ovos estarão chocados. Os filhotinhos estarão piando, pedindo alimento. Em quatro dias estarão voando com seus pais. Todos irão embora.
Mas a alegria que me deixaram no coração ficará para sempre na minha lembrança.
Até breve.
* Jornalista e escritor tatuiano.




