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    Prefeitura lança programa “Aedes do Bem” em Tatuí

    Tecnologia também visa ajudar no enfrentamento às doenças zika e chikungunya

    Ativação da primeira caixa é realizada na praça Mário Cóscia (Foto: AC Prefeitura)
    Da reportagem

    Nesta segunda-feira, 9, na praça Mário Cóscia, foi lançado oficialmente o programa “Aedes do Bem” em Tatuí, com a ativação simbólica da primeira caixa da tecnologia, marcando o início de uma nova etapa no enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti, transmissor das doenças dengue, zika e chikungunya.

    A ação, desenvolvida pela prefeitura da estância turística de Tatuí, por meio da Secretaria de Saúde, reuniu autoridades municipais e representantes técnicos, e teve a ativação conduzida pelo prefeito Miguel Lopes Cardoso Júnior.

    Estiveram presentes no evento, além do chefe do Executivo, a primeira-dama e presidente do Fundo Social de Solidariedade de Tatuí (Fusstat), Regiane de Oliveira Rosa Cardoso; o vice-prefeito Antônio Marcos de Abreu; o presidente da Câmara Municipal, Renan Cortez (MDB); e os vereadores Vade Manoel Ferreira (Republicanos), Paulo Sérgio de Almeida Martins (PSD) e Micheli Cristina Tosta Gibin Vaz (PSD).

    Também participaram os secretários municipais Fabiana Grechi (Saúde), Rosângela Aparecida Domingues Fernandes da Silva (Educação), Patrício Antunes Pereira (Governo e Relações Institucionais), Marcel Jonas Soares dos Santos (Zeladoria e Serviços Urbanos) e João Francisco de Lima Filho (Obras e Infraestrutura); os secretários-adjuntos Wilian Alexandre Nunes da Silva (Saúde), Nicolau dos Santos (Planejamento e Gestão Pública) e Jocilene Vioto (Educação); o coordenador do Setor de Combate à Dengue, Toni Sumio Ogata; agentes de endemias; e o coordenador da Defesa Civil de Tatuí, Sérgio Luiz de Morares.

    Desenvolvido pela empresa de biotecnologia Oxitec, o “Aedes do Bem” utiliza um “método inovador e sustentável de controle do vetor, funcionando como um larvicida biológico”, aponta a assessoria de comunicação do Executivo.

    A tecnologia consiste na liberação de mosquitos machos que não picam nem transmitem doenças, por meio de caixas de fácil manuseio ativadas com água.

    Esses mosquitos acasalam com as fêmeas silvestres, e uma característica autolimitante impede que as fêmeas da nova geração cheguem à fase adulta, reduzindo progressivamente a população transmissora da dengue.

    A tecnologia é aprovada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e já apresentou eficácia de até 96% na redução do Aedes aegypti em estudos científicos realizados no Brasil, “comprovando sua segurança e efetividade como estratégia de saúde pública”, acentua a comunicação.

    Em Tatuí, a implantação do programa contempla praticamente todo o perímetro urbano ao longo do ribeirão Manduca, desde o Jardim Wanderley até a ponte do Jardim Lírio, além da região sul da cidade.

    Serão instaladas 90 caixas em pontos estratégicos, distribuídas por bairros como Jardim Rosa Garcia, vila Esperança, centro, vila Angélica, Colina Verde e vila São Cristóvão, além de áreas consideradas críticas para a proliferação do mosquito, como os cemitérios Cristo Rei e São João Batista.

    Durante a solenidade, Luciana Medeiros, gerente de pós-vendas da Oxitec, declarou que o programa “não é milagroso, mas traz muita eficiência para o cenário que a gente combate hoje em dia com a dengue e todas as arboviroses”.

    Luciana também falou que “a mente inovativa faz toda a diferença”. “As pessoas que trazem biotecnologia para um cenário que até hoje se tratou com maneiras tradicionais de combate à dengue, precisa trazer essa importância para a gestão e para as pessoas que trabalham nessa frente”, comentou.

    Ela também contou que a empresa produz 400 milhões de mosquitos por semana, sendo a maior do mundo. “Temos muito orgulho desse título, porque a Oxitec não só traz uma biotecnologia, mas é uma empresa pioneira em trazer este tipo de solução”, disse.

    Luciana também comentou que a tecnologia “é o detalhe que falta”. “Todos os agentes que estão aqui sabem que trabalham ano a ano em prol de uma causa”, comentou.

    “Vocês vão ‘no casa a casa’, usam inseticida, fazem de tudo para educar a população e volta a dengue. O ‘Aedes do Bem’ não é a bala de prato, não é milagroso, mas ele vai fazer diferença, porque ele entra e encontra o criador que está escondidinho, que a gente não viu, que o inseticida não tocou”, continuou.

    “O programa controla a quantidade de mosquitos nas áreas tratadas, mas não deixamos de lado o que estamos fazendo, somando uma tecnologia poderosa ao município”, complementou.

    A gerente também falou sobre a relevância da parceria com a cidade. “Unimos uma tecnologia robusta e eficaz a uma equipe que realmente se preocupa com a saúde da população. Temos plena certeza de que essa parceria será uma grande solução para Tatuí”.

    Já a secretária municipal da Saúde, Fabiana, comentou sobre o caráter sustentável e integrado da iniciativa: “A sustentabilidade é um valor fundamental para o município, especialmente quando aliada à tecnologia e à responsabilidade com a saúde pública”.

    “O ‘Aedes do Bem’ é mais uma frente de ação no combate à dengue. É essencial que a população cuide das caixinhas e se conscientize, pois, o sucesso do programa depende do envolvimento de todos”, acrescentou.

    Posteriormente, o prefeito reforçou que o enfrentamento à dengue exige ações permanentes e articuladas. “Mais uma vez, Tatuí rompe barreiras com soluções inovadoras. Sabemos o quanto o município já sofreu com a dengue em 2021, quando tivemos um surto que chamou a atenção de todo o país”, lembrou.

    “Nenhuma medida isolada resolve o problema. É um conjunto de medidas: prevenção, trabalho dos agentes de saúde de casa em casa, nebulização, conscientização da população e, agora, o Aedes do Bem”, apontou.

    “Essa tecnologia não elimina o problema sozinha, mas reduz significativamente os casos, o sofrimento das pessoas e melhora a qualidade de vida. Isso é saúde pública, isso é dignidade”, complementou.

    O chefe do Executivo também exaltou a equipe do combate à dengue do município. “É um conjunto de ações, fazemos o fumacê, a prevenção, os agentes estão na rua todos os dias, batendo de casa em casa, tomando porta na cara, enfrentando as dificuldades, fazendo nossa parte, mas não consegue cobrir tudo e, agora, o programa vem ajudar a melhorar significativamente”, citou.

    Além da implantação da tecnologia, o programa será acompanhado por ações educativas e de conscientização, como o uso de carros de som nos bairros atendidos e palestras em escolas, complementando as atividades permanentes já realizadas pelo município, como visitas domiciliares, orientações à população e eliminação de criadouros do mosquito.

    A Oxitec é uma empresa de biotecnologia com sede no Reino Unido e atuação global, “pioneira no desenvolvimento de soluções biológicas seguras e sustentáveis para o controle de insetos que transmitem doenças e destroem plantações”, conforme divulgado.

    A empresa trabalha em parceria com governos e comunidades para implementar tecnologias com foco na proteção da saúde pública e ambiental.

    Vacina da dengue

    Também foi anunciado, durante o lançamento do programa, que o município recebeu 240 doses de vacinas contra a dengue. A vacinação segue a estratégia definida pelo governo do estado de São Paulo e as orientações técnicas do Ministério da Saúde.

    Nesta primeira etapa, o imunizante é destinado exclusivamente aos profissionais da rede municipal que atuam na Atenção Primária à Saúde e

    no Controle de Vetores, na faixa etária de 15 a 59 anos (reportagem nesta edição).