
A confirmação do Basquete Tatuí (Grupo BT/Clube de Campo) na Liga Ouro, porta de acesso ao Novo Basquete Brasil (NBB), é um marco esportivo incontestável. Não obstante, observar o projeto esportivo apenas como um time competitivo seria enxergar pouco, só uma parte da história.
O projeto que hoje coloca a cidade como única representante paulista na competição nacional é, antes de tudo, resultado de um trabalho de base consistente, com forte dimensão social, educativa e de promoção da saúde, que ajuda a transformar trajetórias individuais e a projetar, de forma positiva, o nome de Tatuí muito além de suas fronteiras.
Não é por acaso que dirigentes, federações e autoridades insistem em lembrar que “nada começou do dia para a noite”. O basquete tatuiano atravessou décadas, interrupções, retomadas e reinvenções, sempre com um elemento constante: o trabalho com crianças e jovens.
Foi a partir dessas categorias de base, muitas vezes em cenários simples e com poucos recursos, que se cultivou a cultura esportiva que agora sustenta a equipe adulta em nível nacional
Quando um garoto veste a camisa do Basquete Tatuí, ele não está apenas participando de um campeonato: está sendo introduzido a uma rotina de disciplina, convivência, respeito e autocuidado que, certamente, repercute em sua vida escolar, familiar e comunitária.
A presença de atletas com passagens por grandes clubes do país, por NBB, campeonatos brasileiros e seleções, não serve apenas para qualificar o elenco na Liga Ouro: funciona, sobretudo, como espelho para a juventude tatuiana.
Vendo jogadores de alto rendimento treinando e circulando pela cidade, meninos e meninas podem enxergar no esporte um caminho possível – seja como carreira profissional, seja como atividade estruturante do caráter, da saúde física e da saúde mental.
É esse “espelho”, como bem lembrou o secretário municipal do Esporte, Cultura, Turismo e Lazer, Douglas Dalmatti Alves Lima (Buko), que torna o projeto maior do que placares e troféus.
A gestão do basquete, liderada por Emanuel Lopes, também ilustra a importância de projetos esportivos pensados como política pública e não como aventura pontual.
A base sólida que se formou ao longo dos anos, mencionada pela própria prefeitura, é resultado de planejamento, persistência e articulação com parceiros.
Ao lado do Executivo, do Clube de Campo e de uma extensa rede de patrocinadores locais, o Basquete Tatuí comprova que o esporte pode ser um eixo estruturante de desenvolvimento, conectando poder público, iniciativa privada e sociedade civil em torno de objetivos comuns.
Essa dimensão ganha ainda mais relevância no contexto atual de Tatuí. O município inicia 2026 como estância turística e às vésperas de celebrar 200 anos.
Em um cenário assim, ter uma equipe em competição nacional, disputando Liga Ouro, Copa São Paulo, Jogos Regionais, Jogos Abertos e Campeonato Paulista é motivo de orgulho e, ainda, uma “vitrine” muito interessante.
Cada jogo, cada transmissão, cada menção ao nome do time repercute na imagem da cidade como lugar que valoriza o esporte, investe em formação de base e oferece perspectivas saudáveis para a juventude. Turisticamente, isso contribui para consolidar Tatuí como destino que alia cultura, música, patrimônio e práticas esportivas de alto nível.
O anúncio de novos ginásios e arenas podem consolidar esse caminho. Planejando estruturas que possam receber grandes competições e, também, servir de palco para feiras, festas e eventos, o município demonstra compreender o esporte como parte da infraestrutura mais ampla de lazer e convivência.
Quadras modernas e bem equipadas não beneficiam apenas atletas de elite, mas criam oportunidades para que mais jovens tenham acesso a práticas físicas regulares, reduzindo vulnerabilidades sociais e ampliando horizontes.
Ao lado dos resultados em quadra, é importante destacar o impacto subjetivo desse percurso. Como lembrou o diretor técnico, “o sonho começou nas arquibancadas, acompanhando outros jogarem, sem sequer imaginar uma equipe adulta tatuiana disputando a Liga Ouro”.
Transformar esse sonho em realidade não significa apenas chegar a um patamar técnico, senão comunicar à juventude que projetos longos, feitos com seriedade, podem dar frutos.
Em um tempo em que muitas promessas são imediatistas, o Basquete Tatuí lembra, com fatos, que o caminho da paciência, do treinamento diário e da persistência vale a pena.
Nada disso elimina os desafios. Manter um projeto dessa envergadura exige recursos, estabilidade, apoio contínuo e, especialmente, preservação da sua essência de base e inclusão.
Mas o caminho percorrido até aqui autoriza reconhecer que o Basquete Tatuí se tornou um patrimônio imaterial do município: forma atletas, educa jovens, melhora indicadores de saúde, fortalece laços comunitários e agrega valor à marca Tatuí, hoje em plena projeção turística e cultural.
A Liga Ouro será, sem dúvida, um teste esportivo de alto nível. Porém, qualquer que seja o resultado em quadra, o projeto já se estabeleceu como vitória coletiva da cidade.
Quando crianças e adolescentes encontram no basquete um espaço de pertencimento, de aprendizado e de sonho, Tatuí ganha muito mais do que pontos na tabela: ganha cidadãos mais saudáveis, mais confiantes e mais conectados à sua própria comunidade.
E isso, para um município que mira o futuro como estância turística e polo cultural do interior paulista, talvez seja o maior título de todos.






