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    Inveja, eu???

    Aqui, Ali, Acolá

    José Ortiz de Camargo Neto *

    Conheci uma pessoa que me disse: “não sei o que é inveja”.

    E de fato não sabia, pois se soubesse não a teria mais.

    A verdade é que nesta época de festas, pululam por toda parte os invejosos, que não sabem que o são. Não seríamos nós um deles?

    O povo os chama de desmancha-prazeres ou de “espíritos de porco”.

    A alegria geral os incomoda e desperta-lhes muita inveja, como vimos no artigo anterior, havendo aumento de doenças, acidentes, desavenças e crimes, geralmente, com o propósito de acabar com a festa.

    Vamos ver alguns exemplos, baseados em fatos reais. (*)

    No jardim de sua casa, Joãozinho arrebenta a marteladas o carrinho que ganhou de presente de Natal dos pais. Nem sabe por que faz isso, mas é devido à inveja que sente da bondade e afeto dos genitores, desejando aborrecê-los.

    Na casa vizinha, Gustavo Casmurro – que anda sempre de cara feia, emburrado, para não dar alegria e bem-estar a ninguém –, não desfaz a carranca nem quando sua mãe lhe dá um belo presente de Natal. Com sua feição raivosa, acredita que desmancha o prazer de todo mundo!

    Na rua principal da cidade, Mário bate no poste seu carro, ficando impedido de levar seus entes queridos à sonhada viagem de férias. Sem perceber bem, procurou estragar a felicidade alheia, por inveja, destruindo o automóvel. E assim, o próprio invejoso é o que mais sofre sua própria patologia.

    Na festa de Réveillon, Márcia derrubou “sem querer” vinho no vestido lindo de baile de sua amiga Joana. Sentiu-se mal, com a alegria e beleza da outra, querendo inconscientemente destruir o seu vestido.

    No suicídio, vemos um indivíduo no grau máximo de inveja, pois busca destruir o maior de todos os bens que possui, a própria vida para dar uma ideia de que ela não vale a pena.

    Esses são apenas alguns exemplos de atitudes invejosas. O leitor ou leitora podem, com base neles, colocar quantos mais queira, pois não faltam invejosos no mundo.

    Aliás, sendo a inveja o pecado original, todos nós a temos em maior ou menor grau. Mais inveja, menos inveja, mas imune não há ninguém. É só uma questão de percebê-la, principalmente em nós, para controlá-la e sermos felizes.

    (*) Exemplos baseados em figuras ilustrativas da Psicanálise Integral de N. Keppe, utilizadas no curso de graduação de teologia, das Faculdades Trilógicas.

    Até breve.

    * Jornalista e escritor tatuiano.