A criminalização do pensamento (1984 chegou)

Aqui, Ali, Acolá

José Ortiz de Camargo Neto *

Atrasado, Orwell, mas chegou. E invadiu várias nações.

Em muitas delas, livre pensar é só pensar. Proibido expressar sua opinião.

Nas publicações de internet, basta uma pessoa qualquer, de qualquer status social ou idade, reclamar que não gostou, a plataforma tira do ar.

Assim, cada publicação tem milhares de censores, não apenas os de plantão.

Em vários países outrora democráticos, a Declaração dos Direitos Humanos, marco civilizatório da Humanidade, está submergindo.

Criaram-se, neles, crimes de opinião. Crimes de sentimento. Crimes de pensamento.

Por exemplo, na Suécia, se uma pessoa diz a outra: você está gorda demais, isso é considerado quase um crime, uma “gordofobia”.

O mesmo sucede se uma pessoa expressar que não há multiplicidade de gêneros, mas apenas dois – em que pode ser criminalizada por “homofobia”.

Mesmo aqui, se alguém conta uma piada de estrangeiro, brincadeiras tão comuns no Brasil, antigamente, pode ser taxado de xenofobia.

Em alguns países, como a França (viu-se isso nas últimas Olimpíadas) se alguém sai com o símbolo religioso de sua preferência pendurado no pescoço, pode ser criminalizado, por ofensa ao Estado laico, ou aos de outras crenças.

Em Dubai, um pernambucano enrolado na bandeira de seu estado foi preso, acusado de homossexualidade (porque a bandeira tinha um arco-íris).

Se alguém ensina seu filho a trabalhar, pode estar incorrendo em crime contra e lei que proíbe o trabalho do menor.

Em várias partes do mundo, se alguém, ainda que seja médico, faz críticas a remédios, ou não concorda em dá-los a seus filhos, pode ser multado e preso.

Se uma pessoa valoriza a família, é taxado de arcaico e opressivo.

Se defende a autoridade do professor em sala de aula, pode ser punido. A hora é da pedarquia.

As crianças mandando nos pais. Os adolescentes mandando nos professores. Os ignorantes mandando nos sábios.

Há grupos minoritários que defendem essas ideias, e assim entram em choque com a imensa maioria do povo, que abraça com zelo e amor valores totalmente diferentes – e ao se sentir oprimido e forçado a negar aquilo em que acredita, pode se tornar agitado.

Como acontece nas panelas de pressão, pode explodir.

Historicamente, explodiu centenas de vezes, em muitos países.

Então, em toda parte onde isso acontece, é melhor que o povo comece a ser atendido pelos políticos em seus anseios e valores, e logo.

Só assim haverá a sonhada pacificação, esperada por todos.

* Jornalista e escritor tatuiano

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