Manis retorna ao ‘Paulistão’ após 4 meses

Árbitro assistente atuou nas 3 rodadas após governo de SP liberar volta do campeonato

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Danilo Manis atuou na partida entre Mirassol e Corinthians pela primeira fase do Paulistão 2020 (Arquivo pessoal)
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Da reportagem

Após exatos quatro meses e sete dias, o árbitro assistente tatuiano Danilo Ricardo Simon Manis pôde, na quinta-feira da semana passada, 23 de julho, voltar a atuar em uma partida de futebol profissional, válida pela Série A1 do Campeonato Paulista de Futebol.

Mesmo em início de temporada, ele havia atuado em 13 jogos neste ano, entre os dias 22 de janeiro e 16 de março, até a paralisação do futebol, devido à pandemia.

Nesse período, Manis participou de nove partidas do “Paulistão”, duas da Copa Sul-Americana, uma da Copa Libertadores da América e uma do Campeonato Paraense.

Somente em 2020, o tatuiano “bandeirou” três clássicos pelo Paulistão: o triunfo, por 2 a 0, do Corinthians sobre o Santos, na Arena Corinthians; o empate, sem gols, entre São Paulo e Corinthians, no estádio “Cícero Pompeu de Toledo”, o Morumbi; e a vitória, por 3 a 2, do Guarani diante da Ponte Preta, no estádio Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas.

No dia 8 de julho, o governador João Doria autorizou, para a quarta-feira da semana passada, 22 de julho, o retorno da 119ª edição da principal divisão do futebol paulista. Na véspera do anúncio, a FPF (Federação Paulista de Futebol) divulgou um protocolo de operação de jogos para a conclusão do campeonato.

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Seguindo o protocolo da FPF, todos os árbitros e assistentes que participam do torneio estão isolados, desde o dia 16 de julho, no Oscar Inn Eco Resort, em Águas de Lindóia. Eles deixam o local somente para irem aos estádios atuar nas partidas.

Manis conta que todos os profissionais da arbitragem realizaram exames para Covid-19 e testes físicos antes de serem isolados. Durante a hospedagem, são obrigatórios alguns cuidados, como higienização constante, uso de máscaras de proteção e distanciamento.

Conforme o tatuiano, os profissionais são orientados a levar a própria água e alimento aos estádios, devendo levar as sobras de volta ao hotel.

Nos locais das partidas, há entradas específicas aos árbitros e jogadores e vestiários higienizados. Ainda, os que não precisam estar no campo devem manter distanciamento e usar máscaras. “Há uma série de protocolos que estamos obedecendo”, afirmou.

A primeira partida de Manis após o retorno do torneio foi o revés do São Paulo, no Morumbi, contra o Red Bull Bragantino, na quinta-feira, 23 de julho. Três dias depois, ele atuou na vitória do Ituano sobre o Santo André, por 3 a 1, no estádio “Doutor Oswaldo Teixeira Duarte”, o Canindé.

Na noite desta quinta-feira, 30 de julho, às 21h30, Manis esteve escalado para a última partida das quartas de final do Paulistão.

O jogo eliminatório, entre Santos e Ponte Preta, no estádio “Urbano Caldeira”, a Vila Belmiro, na Baixada Santista, terminou com a vitória do clube de Campinas, por 3 a 1.

O tatuiano informa que, durante as quartas de final e o Troféu do Interior – que ocorre paralelamente à etapa eliminatória do Paulistão -, todos os árbitros seguem isolados em Águas de Lindóia.

Com o afunilamento do campeonato, aos poucos, os árbitros que não forem escalados em nenhuma partida retornarão às residências deles. No entanto, tatuiano continua longe da casa por mais um período.

No início da tarde desta sexta-feira, 31 de julho, a FPF divulgou a escala dos jogos das semifinais do campeonato. O árbitro assistente tatuiano foi escolhido para atuar no confronto entre Corinthians e Mirassol, na “casa corinthiana”, neste domingo, 2, às 16h.

Manis atuou na final do Paulistão do ano passado, entre Corinthians e São Paulo, na Arena Corinthians – que culminou no 30º título estadual do clube alvinegro -, e vive a expectativa de ser escalado em mais uma decisão.

“Assim como todos os companheiros, estamos trabalhando firmes para isso. Porém, a participação em uma decisão fica a critério da escala pela comissão da FPF. O importante é fazer o nosso bem feito”, afirmou. “Ser escolhido para atuar em jogos das quartas de final, semifinal e final é o objetivo e o sonho de qualquer árbitro”, reconhece Manis.

Preparação

Com diversos treinamentos teóricos e físicos, o tatuiano afirma que os profissionais da arbitragem, apesar de ficarem isolados em casa, não tiraram férias durante o período de paralisação das partidas.

Utilizando plataformas digitais, como “Zoom”, “Google Meet” e “Microsoft Teams”, que permitem a exibição de vídeos e slides, a FPF formou salas de reuniões online, com a participação de dezenas de árbitros, para “fortalecimento teórico de situações de jogo”.

Manis defende a necessidade dos treinos, pois “as regras do futebol são muito complexas e divididas em situações”. Segundo ele, as atividades teóricas foram divididas em temas, como faltas táticas, mãos, leitura e posicionamento, incidente na área penal e VAR (árbitro assistente de vídeo).

O tatuiano realizou vários cursos oferecidos pela FPF, pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), pela Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) e pela Fifa (Federação Internacional de Futebol).

“Houve um aprimoramento e bastante estudo, com fortalecimento de regras e análises de vídeo, no qual tomávamos uma decisão e éramos avaliados, para saber como está o conceito de cada um”, apontou.

Em paralelo, os árbitros tinham de enviar à FPF os treinos físicos realizados durante a quarentena. Manis afirma que, com as academias fechadas, cada profissional teve de treinar de acordo com a possibilidade do local onde reside.

De acordo com Manis, apesar de não ainda haver qualquer indicativo de data para a retomada das partidas, os profissionais não teriam tempo hábil para se preparem a partir do anúncio do retorno do campeonato.

O intervalo entre a liberação do governado estadual e a volta do Paulistão foi de 14 dias. “A preparação tinha de ser contínua”, reconhece o árbitro assistente.

Com a preparação prévia, o tatuiano assegura que a questão física não interferiu nas primeiras partidas após a volta. No entanto, afirma que, gradativamente, a cada partida, os árbitros conseguem retomar o ritmo de jogo.

“Termos uma leitura mais simples da jogada, e as tomadas de decisões acontecerem com mais naturalidade, sem ter de pensar para fazer. Somente o ritmo de jogo irá trazer de volta, afinal, foram quatro meses sem executar a profissão”, destacou.

As semifinais do Paulistão acontecem neste final de semana e, no seguinte, está agendada a segunda partida da decisão. Simultaneamente, inicia-se o Campeonato Brasileiro da Série A 2020.

Tradicionalmente, o “Brasileirão” é disputado entre os meses de maio e dezembro, mas, devido à pandemia, a edição de 2020 deverá ser finalizada somente em fevereiro de 2021.

“Não houve ajustamento do calendário, somente remanejamento das partidas. Sem a habitual pausa no final de ano, todos estão preparados para seguir direto até fevereiro. Acredito que as competições de 2021 deverão ser encerradas em meados de dezembro para, em 2022, o calendário estar ajustado novamente”, analisou.

Família

No dia em que foi isolado em Águas de Lindóia, o árbitro assistente completou quatro meses sem participar de nenhuma partida, permanecendo em isolamento na residência dele. Em meio à quarentena, ele pôde ficar com a família por mais tempo que o habitual.

“Eu não me lembro qual foi o último ano quando fiquei um período tão longo junto da minha família. Foi uma situação diferente que vivemos, que serviu de grandes lições e um crescimento familiar bem bacana”, declarou Manis.

Com somente três anos de idade, o filho de Manis acabou sendo o companheiro dele para desenvolver as atividades físicas. “Ele gosta de correr. Me deu uma canseira, porque já está correndo mais do que eu”, revelou.

Após ficar quatro meses em isolamento, caso o tatuiano seja escalado para a decisão do Paulistão, ele ficará cerca de 25 dias longe de casa. Segundo Manis, a saudade da família é algo decorrente da profissão.

Somente no ano passado, o árbitro assistente atuou em 56 partidas, sendo quatro na Copa do Mundo Sub-20, quando ficou um mês na Polônia.

“A ausência de casa, às vezes, se torna uma rotina para a gente. É o preço da profissão. Ainda bem que, hoje, a tecnologia ajuda. As chamadas de vídeo nos aproximam um pouco mais”, aponta o tatuiano.

“Às vezes, quando uma partida em que estou atuando está sendo transmitido na televisão, a minha esposa me manda uns vídeos do meu filho, me assistindo e me imitando. Ele é uma ‘figurinha’”, finaliza Manis, aos risos.

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