Júlia Abrame aguarda vinda de medicação para cirurgia

Transplante de medula depende de remédio importado

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Antônio Sérgio, a pequena Júlia e a mãe Adriana estão na expectativa (foto: arquivo pessoal)
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A tatuiana Júlia Abrame de Oliveira, de seis anos, permanece em aguardo para o transplante de medula óssea. Diagnosticada com leucemia linfoide aguda, ela precisa de um medicamento, que é importado para a realização de quimioterapia e vai prepará-la para a cirurgia. O remédio já foi adquirido.

A mãe informou que a menina precisa tomar o medicamento chamado Tiotepa, indicado para o tratamento pré-operatório. De acordo com Adriana Cristina Delaroli Abrame de Oliveira, a equipe que cuida da menina já fez a compra do remédio. “Temos de esperar”, contou.

Segundo Adriana, a previsão de chegada do Tiotepa é de 30 dias. A família tinha o mesmo prazo em dezembro do ano passado, quando conseguiu resolver uma situação com um plano de saúde. Inicialmente, Júlia faria o transplante de medula óssea – doada pelo pai – por meio do SUS (Sistema Único de Saúde). Como o prazo de carência do plano da família expirou, a menina pôde, então, ser atendida pelo convênio médico familiar.

A aquisição do remédio importado aconteceu via convênio, em dezembro do ano passado. No dia 27 desse mesmo mês, Adriana assinou os papeis para a compra.

A mãe informou que o medicamento será administrado na radioterapia. Júlia faz quimioterapia de manutenção no Hospital do Gpaci (Grupo de Pesquisa e Assistência ao Câncer Infantil), na cidade de Sorocaba.

No momento, a menina está sendo submetida a um tratamento “mais fraco”, até que possa ser medicada com o remédio importado. Júlia não permanece internada.

Adriana explicou que, com a chegada do medicamento, a menina deverá ser internada imediatamente. Ela será isolada em uma sala para iniciar a quimioterapia com o remédio importado.

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O tratamento terá duração total de uma semana. “A químio e esse medicamento são muito agressivos. Para proteger a Júlia de qualquer complicação, os médicos vão isolá-la”, explicou a mãe.

Segundo ela, enquanto o medicamento não chegar, os médicos não podem programar o transplante. Adriana contou que a cirurgia será realizada imediatamente depois da aplicação do remédio, administrado na quimioterapia.

Conforme Adriana, os médicos devem submeter Júlia ao transplante no dia seguinte ao final do tratamento. A mãe disse que toda a família está na expectativa da vinda do medicamento. Entretanto, ainda não sabe por quanto tempo. Isso porque o remédio pode ficar “parado” na alfândega.

“Como não é um remédio comumente usado no Brasil, os órgãos fiscalizadores podem demorar a autorizar a entrada. O processo pode demorar”, lamentou.

Até lá, a família lembra que a menina ainda tem chances de encontrar um doador 100% compatível. O transplante a ser realizado em Júlia não é considerado o ideal.

Como os médicos não localizaram, no banco de dados, alguém totalmente coadunável com a menina, sugeriram aos pais que eles autorizassem o procedimento com alguém da família que fosse 50% compatível.

Júlia receberá a medula óssea do pai, Antônio Sérgio de Oliveira. Ela será submetida ao transplante de medula haploidêntico, feito com alguém metade compatível. Enquanto o transplante não é realizado – durante a expectativa da vinda do medicamento –, a medida permanece na fila de espera.

“Conversei com a médica que trata da Júlia e ela me disse que continuam pesquisando um doador para ela. Se aparecer um doador 100% compatível, eles precisam avaliar a possibilidade, porque vai atrasar tudo de novo”, contou Adriana.

De acordo com ela, os médicos têm de verificar se o atraso poderia prejudicar ainda mais a menina. Júlia está com imunidade baixa e necessita de transplante de medula porque o organismo dela já não responde mais aos medicamentos.

Um adiamento, que é necessário para a realização de todos os exames para a confirmação da compatibilidade, poderia complicar ainda mais a condição de saúde dela. “Quanto mais demorar, menos chances de sucesso. Mas, estamos na torcida”, conclui a mãe.

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