‘Golpe Baixo’ é apresentado no MHPS

Livro de jornalista foi lançado em evento com esquetes e performance de duo

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Esquete apresentada pelo grupo Asas Contação de História (foto: Brunno Vogah)
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Única obra literária lançada na Semana Paulo Setúbal, o livro “Golpe Baixo” marca um novo estágio no trabalho de incentivo à cultura no município. A série de contos foi apresentada pelo jornalista Ivan Camargo na noite de terça-feira, 8.

O evento aconteceu às 20h, no MHPS (Museu Histórico “Paulo Setúbal”), com presença de autoridades, artistas, familiares e amigos do escritor. Camargo ainda realizou noite de autógrafos, antecedida e sucedida por apresentações de músicas, pelo Duo Thais Sanches e Guilherme Souza, e esquetes, pelo grupo Asas Contação de História, Recreação e Música.

As atividades dão sequência à ação que visa à revelação de novos talentos e a salvaguarda da memória de Paulo Setúbal. Para tanto, foram programadas exclusivamente para o museu, conforme destacou o diretor municipal da Cultura, Rogério Vianna.

“Na verdade, o museu é um lugar histórico e não só porque conta a história dos antepassados, mas porque registra a dos presentes para que, no futuro, nós possamos também fazer parte da história”, explicou Vianna, organizador do lançamento.

É ele quem está à frente do trabalho de valorização dos escritores tatuianos e de preservação da memória das obras do literato Paulo de Oliveira Leite Setúbal.

Para tanto, a Secretaria Municipal de Esporte, Cultura, Turismo, Lazer e Juventude, por meio do departamento, está promovendo uma série de lançamentos.

O primeiro deles aconteceu em fevereiro, com apresentação da obra “Afetos Musicais”, do ex-aluno do Conservatório de Tatuí Wilson Brisola Fabro.

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“Estamos trazendo, novamente, os livros para a casa do escritor tatuiano. Paulo Setúbal fez parte da ABL (Academia Brasileira de Letras), mas Tatuí tem vários escritores, alguns mais tímidos; outros, como o Ivan Camargo, são mais desenvoltos, por terem carreira mais ampla no sentido de produção”, destacou.

Na “casa” de Paulo Setúbal, o público tomou contato com a obra do editor de O Progresso de maneira singular. Convidados, artistas e autoridades acompanharam a apresentação de duas esquetes teatrais, somadas a um pequeno concerto.

As duas atividades partiram de iniciativa do próprio organizador, com aval de Camargo. “Posso dizer que isto é coisa de gente de teatro”, iniciou Vianna.

O diretor municipal da Cultura, que também é ator e produtor cultural, já havia ensaiado a peça “O Cativeiro”, do jornalista. Por conhecer a “acidez” do texto do autor, Vianna teve a ideia de incluir o teatro, convidando o grupo Asas.

Acresceu a música por conta da “vocação natural de Tatuí”. “Somos a ‘Capital da Música’. Então, nada mais importante do que recebermos os nossos cidadãos, os nossos convidados, com o que temos de maior valor cultural”, ressaltou.

Considerado parceiro do museu, o grupo Asas já desenvolve atividades na Casa de Cultura. “Nós acabamos propondo a eles que fizessem um galanteio, essa honra para nós, para o autor e para os convidados”, complementou Vianna.

Os atores Tamires Freire de Carvalho, Adriana Afonso (Drica) e Tiago Augusto Marcos (que também é músico) leram todos os nove contos de “Golpe Baixo”. Do livro, extraíram dois textos, encenados em esquetes com média de 15 minutos cada.

O Asas Contação de História, Recreação e Música é considerado um grupo “novíssimo”. “Tem três meses de vida”, contou Drica. Ela, Tamires e Marcos são amigos e resolveram, após uma sequência de bate-papos regados a muitos cafés, unirem os talentos.

As duas atrizes e o músico já trabalharam juntos. Marcos, inclusive, atua nos espetáculos e teve participação nas esquetes.

“Ele (Marcos) é da música, e foi diretor musical de um espetáculo meu, apresentado no ano passado. Já Tamires foi minha aluna. Então, nós estivemos juntos em alguns projetos por causa de trabalhos em sala de aula”, relatou Drica.

A prefeita Maria José e o autor (foto: Brunno Vogah)

Nos momentos que passaram juntos, os três perceberam que tinham, em comum, a necessidade de trabalhar com contos. Daquele momento em diante, passaram a ler alguns textos considerados tradicionais, como as “Fábulas de Esopo”.

Trata-se de uma coleção de contos creditados a Esopo, um escravo e contador de histórias que viveu na Grécia antiga, antes de Jesus Cristo.

Durante o trabalho de pesquisa, o grupo decidiu dedicar-se aos escritores brasileiros menos propagados. A intenção era montar um trabalho voltado ao público infantil.

“Encontramos Rubem Alves e nos deparamos com o conto ‘A Pipa e a Flor’ que, neste pouco tempo de existência, é nosso carro-chefe”, contou Drica.

O texto já foi apresentado em saraus e marcou a união dos amigos. A segunda experiência deles, dentro do Asas, é um musical chamado “O Cravo e a Rosa”, que traz letras escritas pelos três integrantes, somadas às canções existentes.

Os ensaios acontecem na Casa do Asas (a residência de Drica), que já abrigou, em julho, o “Arte na Garagem da Drica”. A ação contou com participação de diversos artistas da cidade.

É na residência dela que o grupo desenvolve o processo criativo, prepara cenários e testa as experiências teatrais que serão, depois, apresentadas ao público.

A aproximação com o trabalho de Ivan Camargo deu-se por meio de Vianna. “Ele entrou em contato conosco por conhecer o trabalho do Asas”, contou Tamires.

O diretor do Departamento Municipal de Cultura já havia assistido à apresentação de “A Pipa e a Flor”, e, acreditando no potencial do grupo, chamou os integrantes para realizarem uma experiência considerada até então inédita.

Os integrantes receberam a proposta como um desafio. “Ele (Vianna) nos entregou o livro de contos e nos disse para lermos, termos inspiração e fazermos o que entendêssemos que seria melhor. Nós conversamos muito e fizemos a avaliação da obra. No começo, foi um baita desafio”, descreveu Tamires.

“Nós estamos jogando muito com a infância, com os jogos de infância. Então, quando pegamos o livro para ler, era diferente daquilo que estávamos buscando, totalmente, porque são contos adultos, bem adultos. Aí, rolou um desafio, tanto que nós chegamos a ficar um pouco em crise”, relatou Drica.

Depois de promoveram debates sobre o livro, os atores chegaram à conclusão de que teriam de alinhar o pensamento ao do autor. “Caímos numa grande dúvida: pensamos que estávamos filosofando demais, e queríamos verificar se nosso pensamento era o mesmo da linha do escritor”, contou a atriz.

Para alinhavar o trabalho, os atores se encontraram com Camargo. A experiência foi considerada surpreendente, em função da sintonia, contam. “Saímos de lá (do encontro) bem contentes, porque estávamos trabalhando exatamente no que o autor queria passar com a escrita”, citou Tamires.

O processo de montagem durou uma semana, resultando na escolha dos textos “O Corretista” e “Golpe Baixo”, encenados nesta ordem. “Optei pelos contos porque eles tinham uma abordagem interessante. O primeiro, porque tive um ‘insight’, e, o segundo, por ser o que dá nome ao livro”, explicou Tamires.

Para a encenação, o grupo mesclou diálogos que constam nos contos escritos por Camargo e frases construídas a partir de conversas entre os atores. “Nós também elaboramos uma parte das esquetes, mas mantendo a essência, especialmente porque o autor é bom e não tem nem no que mexer”, declarou Drica.

Além do texto, o artista plástico Domingos Jacob Filho, o Mingo Jacob, destacou que Camargo tem outras características marcantes. Convidado, Mingo fez questão de comparecer ao lançamento não só para prestigiar o amigo, mas para conhecer a nova obra. “Para mim, é inédita”, iniciou.

“Estou curioso para ler, porque o que mais atrai no Ivan é justamente a tatuianice dele. Ele tem uma linguagem bem popular, bem do povo. Escreve um tipo de livro que tanto um morador de um bairro de classe alta como um de classe baixa pode ler. Ele atrai qualquer tipo de público”, acrescentou.

Para o artista plástico, a melhor característica do escritor é mesclar dados do passado da cidade com os temas de seus trabalhos. Estes foram os motes, por exemplo, dos livros “Onde Moram os Tatus” e “Assombrações Caipiras”.

“Ele conta a história de uma maneira romanceada, mas muito empolgante. A literatura dele é lida em um supetão só. A gente pensa que vai parar, mas lê mais um pouco e, de pouco em pouco, termina o livro em um ou dois dias. Além disso, é importante termos um escritor desta natureza em Tatuí”, opinou.

Para o artista plástico e cenógrafo Jaime Pinheiro, “Golpe Baixo” é uma obra que deixa latente a verve do autor e está relacionada às características dele enquanto artista e pessoa. “O Ivan é inteligente, observador, irônico, sarcástico e perspicaz. São estas coisas que eu admiro nele”, declarou.

O livro lançado pela editora Kazuá também foi citado pelo presidente da ACE (Associação Comercial e Empresarial), de Tatuí, Eric Proost, como importante no contexto de incentivo à cultura de Tatuí. “Este também é o papel da associação, o de prestigiar o município e seus artistas”, acrescentou.

O Duo Thaís Sanches e Guilherme Souza (foto: Brunno Vogah)

Segundo ele, a ACE sempre está estimulando a propagação da cultura local, seja participando, ou realizando ações. Por conta da natureza, a entidade mantém ações ligadas ao comércio e, por consequência, às vendas. “O livro não deixa de ser um comércio, e nós, neste sentido, sempre prestigiaremos”, vaticinou.

A prefeita Maria José Vieira de Camargo ressaltou que o lançamento faz parte de uma série de ações programadas pelo Executivo como incentivo ao desenvolvimento da literatura.

As atividades incluíram a realização de dois concursos de literatura, um de âmbito municipal e outro, nacional, com premiações realizadas no dia 3.

“Para mim, é uma alegria e um grande orgulho estar na apresentação do livro do Ivan, que representa a nova geração de escritores tatuianos, sucedendo Paulo Setúbal, Carolina Ribeiro e Chiquinha Rodrigues”, mencionou.

Maria José afirmou que, ao apresentar um novo trabalho, o jornalista dá notoriedade à cidade. “Gosto muito das obras do Ivan, que tem o humor como uma característica marcante e sempre propõe discussão da atualidade”, declarou.

“Golpe Baixo” é uma coletânea de “pequenas histórias quase apolíticas e nada corretas”, todas buscando, com bom humor, questionar e satirizar o “coitadismo”.

“O livro não se importa com os tais limites do humor, fazendo questão de pisar torto do outro lado da linha”, como define o próprio autor. “Golpe Baixo” se divide em nove histórias, sendo aberto com uma reescrita do clássico “O Alienista”, de Machado de Assis.

As questões levantadas pelo livro estão presentes em histórias envolvendo um advogado fanático pelo politicamente correto, em “O Corretista”; os protestos recentes que tomaram o país, em “Manifestações de Desejo”; os valores tradicionais na educação familiar, em “Três Amigas”; e observações sobre o feminismo sectário, em “A Última Flor do Macho”.

O livro apresenta, ainda, os contos “Golpe Baixo”, que explicita uma típica situação de assédio; “Sabor de Saudade Suja”, focando nos exageros da “Vida saudável”; “Beijo Gay?”, abordando polêmica dos relacionamentos homossexuais na mídia; e “Lembranças da Pior Idade”, um conto que satiriza o eufemismo de que ficar velho é desfrutar da “melhor idade”.

A obra pode ser adquirida no site do autor (www.ivancamargo.com.br). No mesmo endereço, é possível encontrar mais informações a respeito dos trabalhos de Camargo e as demais obras dele.

O jornalista comentou ter ficado surpreso no lançamento, observando a receptividade com que o livro foi recebido pelo púbico no museu.

“Apesar de estarmos em uma semana de festas – e, particularmente, em meio a uma programação que destaca a literatura, por homenagear Paulo Setúbal -, a presença de tantas pessoas e as intervenções artísticas que integraram o lançamento foram inesperadas e motivo de muita alegria”, comentou Camargo.

“Agradeço à Prefeitura, por meio da Secretaria de Esporte, Lazer, Turismo e Juventude, pela oportunidade de poder ocupar o Museu ‘Paulo Setúbal’ – o lugar mais oportuno ao lançamento de um livro, claro – e, em particular, ao Rogério Vianna, cujo profissionalismo na organização só não foi maior que a gentileza. Muito obrigado, mesmo!”, concluiu o autor.

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