Camisas

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(Arquivo Cláudio Aldecir)
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Nada identifica mais uma torcida do que uma cor. O lado romântico e poético do futebol sempre se referiu a isso de uma forma idílica, até didática.

Era comum esse tipo de manchete: “O ‘Rubro-Negro’ entra em campo hoje…”; “O ‘Alvinegro’ se prepara…”; “A equipe ‘Esmeraldina’ joga completa…”; “O ‘Azulão’ tem missão difícil…”; “O ‘Tricolor Paulista’ e/ou ‘Tricolor Carioca’ é o líder…”; “O ‘Alviverde’ luta para…”; “A aguerrida equipe ‘Rubro-Verde’…”; “A formação ‘Canarinho’…”; “A ‘Celeste’…”; e, assim por diante.

Sempre as cores tradicionais dos clubes e seleções eram identificadas pela imprensa, pelos torcedores, pelo público. Via-se nos estádios os torcedores com as cores do seu time, bandeirolas coloridas identificando uma legião de torcedores. O São Paulo F. C., diga-se de passagem, foi o primeiro clube de futebol do Brasil a ter uma, digamos, torcida organizada e constante, naqueles anos 1940.

Pois bem, o que se vê hoje contraria completamente o que foi uma marca do futebol. Onde já se viu o Santos F. C., daquele branco tradicional, uma camisa que até assustava seus adversários, trajar azul? E o Palmeiras, que do verde esmeralda se apresenta com uma caricata camisa de “cor marca texto”?

Outro dia, vi o Corinthians entrar no Pacaembu de camisa cinza. Parecia dia de treino, isso, sim. Mais aberrações é ver o Flamengo de camisa rubro-negra tradicional, mas de calção preto. Coisa mais feia! Assim como o Corinthians, todo de branco, deixando de lado os calções pretos, que fazem parte da história, sem dúvida, do clube. Todo de branco são o Santos e o São Cristóvão, do Rio de Janeiro, e está acabado.

Tudo começou quando a arbitragem reclamou um dia das cores iguais, por exemplo, das meias e de calções das equipes. Proibiu-se, então, e os clubes passaram a jogar com combinação de cores estranhas aos costumes de seus uniformes históricos tradicionais.

Mais tarde, os patrocinadores e empresários, em muitos casos os verdadeiros donos atuais dos clubes, exigiram esses vergonhosos uniformes. E o que dizer também das horrorosas numerações altas nas camisas, e não mais de 1 a 11. É moda, hoje, uma substituição, tipo, sair o número 80 e entrar o 56. Mau gosto maior é impossível.

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Veja na foto, o time corintiano de 1966, com seu uniforme número um tradicional, simples, sem as propagandas que, na verdade, fazem sumir o mais importante: o tradicional distintivo do clube, a marca de uma tradição, a razão de ser de um clube, onde está toda a sua história.

Tudo foi muito banalizado. Um futebol com dirigentes amadores, com atitudes de arrogância, um trampolim descarado para outras finalidades e não visando o futebol verdadeiro, mascarando outras intenções e manipulações de uma paixão.

Saudosismo? Sim, muito. Afinal, coisas boas devem ser preservadas, admiradas, cultuadas e não desprezadas. A história é rica, e estamos precisando disso, de riqueza intelectual e cultural. A mediocridade se avoluma perigosamente. Eu, hein!

Vamos relembrar do chamado alvinegro em 17 de julho de 1966, na cidade de Ourinhos (SP), quando venceu o amistoso por 3 a 0. Em pé, na fotografia: Jair Marinho, Marcial, Ditão, Edson, Clóvis e Maciel. Agachados, estão: Marcos, Tales, Flávio, Rivelino e Nilson. Oswaldo Brandão era o treinador.

Grandes histórias e muito, muito mesmo saudosismo.

NOTA: As fotos são do arquivo pessoal do autor, que data de 50 anos. Ele, como colecionador e historiador do futebol, mantém um acervo não somente de fotos, mas de figurinhas, álbuns, revistas, recortes e dados importantes e registros inéditos e curiosos do futebol, sem nenhuma relação como os sites que proliferam sobre o assunto na rede de computadores da atualidade

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