Síndrome diarreica viral (virose intestinal)

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Nestes últimos dias de inverno e início de primavera, têm sido frequentes os quadros de origem viral (rotavírus ou norovirus) nas crianças, principalmente lactentes jovens de 3 meses até 3 anos de idade.

São processos respiratórios que iniciam com febre e, às vezes, vômitos, tosse seca, com quadro semelhante a um resfriado e que, frequentemente, evoluem para um quadro gastrintestinal, com persistência dos vômitos e/ou náuseas, dor abdominal e diarréia (fezes semipastosas amolecidas, ou semilíquidas e/ou líquidas, geralmente amarelo esverdeadas, com odor muito fétido e, muitas vezes, provocando “assaduras” nas nádegas e região perivalginal.

Tem sido as consultas mais procuradas nos prontos-socorros, postos de saúde e consultórios pediátricos de uma forma geral, nos últimos meses. É um vírus altamente contagioso, que contamina vários irmãos da família e, muitas vezes, as crianças nas creches e escolas, chegando a provocar surtos de classes inteiras de creches e “escolinhas” com os mesmos sintomas.

Há classes escolares inteiras em que as crianças vão passando de uma para outra, pois a transmissão do vírus é pelo ar e pelos perdigotos (partículas de saliva). Também podem provocar cólicas abdominais intensas, com muito choro e dores de ouvido.

É muito importante fazer o diagnóstico correto, pois a medicação para esses processos são medicamentos sintomáticos, ou seja: antitérmicos para abaixar a febre, antieméticos para “cortar” o vômito (com muita frequência precisa ser usado medicação injetável, pois a criança não aceita medicamento por via oral, ou até mesmo chegando a vomitar em seguida ao remédio).

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Sendo assim, os vômitos passam a ser incoercíveis – isto é, não param se não fizer injeção intramuscular ou tomar um soro na veia com medicação antiemética (contra o vômito). Usam-se medicamentos para reduzir a cólica intestinal e os gases (que provocam um “estufamento” abdominal). Muitas vezes, a criança fica extremamente sem apetite, não aceitando nem líquidos ou soro via oral (caseiro ou de farmácia), e, assim, acaba desidratando e perdendo peso, podendo precisar de um soro endovenoso para a reposição de líquidos e eletrólitos, particularmente o sódio (Na) e potássio (K), principalmente se estiverem com desidratação, que o próprio pediatra vai constatar.

O soro VO é extremamente recomendável, para se evitar a desidratação, se a criança aceitar bem, é lógico, e hoje existem vários soros por VO, já de sabor extremamente agradáveis, como framboesa, tutti-frutti, laranja, uva, côco, etc.

Diagnóstico

O diagnóstico é geralmente clínico, passando a criança por um pediatra que vai medicá-la, segundo os sintomas acima relatados. Além de medicamentos para “cortar” o vômito (este é muito importante, pois se a criança estiver vomitando muito ela pode facilmente desidratar, diferente da diarreia que isolada não desidrata muito), pode ser usado e deve ser usado medicamentos que reponham a flora intestinal, em líquido ou em pó. Existem vários no mercado, que são chamados repositores da flora intestinal (prebióticos ou probióticos), que podem e devem ser usados.

O que fica realmente contraindicado é o uso de antibióticos, os quais, além de não terem nenhuma indicação para o caso, podem contribuir para que a criança tenha mais diarreia ainda e não contribuindo, de nenhum modo, para a melhora ou a cura do caso.

Tratamento

O tratamento é essencialmente sintomático, ou seja, deve ser imediatamente combatido o vômito (aconselhamos que, na primeira vez, seja usado um medicamento injetável para isso) para que a criança aceite posteriormente os outros medicamentos por via oral, como um bom antitérmico, um antiespasmódico (para cólicas), um soro de reidratação oral, que pode ser um soro caseiro ou adquirido em farmácia em pó ou em líquido, este de preferência com sabor.

Um medicamento bastante usado pelos médicos é a nitazoxanida, que combate duplamente o vírus da diarreia, que pode ser o rotavírus ou o norovírus, e também combate as parasitoses intestinas, como a verminose e a giardíase.

* Médico pediatra com título de especialista pela (SBP) Sociedade Brasileira de Pediatria e AMB (Associação Médica Brasileira) e diretor clínico e proprietário da Alercoclin Cevac (Clínica de Vacinação de Tatuí).

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